Tiro no pé

Um suposto “ressarcimento dos royalties pagos”, que teria sido incluído pelas petrolíferas estrangeiras no novo marco de exploração de petróleo brasileiro, não se trata de ressarcimento verdadeiro. “Trata-se de um simples benefício fiscal, para as empresas não pagarem royalties sobre uma produção de idêntico valor à última parcela de royalties paga. Podem declarar que é um benefício desnecessário, pois a atividade é bastante rentável, mas não é ressarcimento”, informa artigo do engenheiro Paulo Metri. Hoje, segundo Metri, defender a derrubada do veto imposto pelo então presidente Lula ao artigo 64 do marco regulatório, como fazem alguns nacionalistas desavisados, é dar um “tiro no pé”.

Ignara
“Muitos desejam impor uma austeridade equivalente às sangrias “terapêuticas” medievais. Sustentam que o problema real é a falta de autodisciplina nos países periféricos. E essa idéia é amplamente compartilhada pelas elites desses mesmos países. Essas elites parecem se sentir felizes lançando seus próprios países no abismo da depressão, a fim de desbaratar toda resistência aos cortes salariais e ao fim de todos os programas sociais em favor da população trabalhadora. Essa é sempre a solução preferida pelas elites ignaras. Com este método pretende-se rebaixar os custos salariais nas nações periféricas e tornar a produção mais competitiva.”
A análise sobre as medidas impostas à Grécia é de Randall Wray, professor de Economia da Universidade de Missouri, e ex-diretor da Association for Evolutionary Economics (Afee), em artigo reproduzido pelo site Carta Maior

Arrocho alemão
Wray destaca que a mesma posição é compartilhada pelos membros “mais poderosos” da União Européia (UE): “A prudente Alemanha segurou os salários durante a década passada, fazendo disparar a produtividade. Conseguiu assim converter-se no país com o menor custo de produção na Europa e, passo a passo, pode chegar mesmo a competir com a Ásia. Não na produção baseada em trabalho intensivo barato, mas sim na produção do setor exportador de alto valor agregado”, destaca.

Rumo ao abismo
Para ele, “mais assombroso ainda que a falsidade dessa atitude é o fato de que se a sangria fiscal e o corte dos salários forem efetivamente implementados nos países periféricos, não demorará para que fábricas comecem a sair da Alemanha, buscando trabalhadores menos custosos”: “Em outras palavras, o êxito da periferia seria à custa dos trabalhadores alemães que teriam de aceitar salários mais reduzidos para poder competir. O que de todo o modo ocorrerá, estimulado pela perda de postos de trabalho, se a Alemanha não conseguir encontrar mercado para seus produtos fora da UE, onde a demanda cairá indefectivelmente à medida que as nações periféricas mergulhem ainda mais na depressão. O resultado será uma bonita corrida rumo ao abismo, da qual só se beneficiará a elite européia. Muito bonito”, ironiza.

Nivelar por baixo
O economista, no entanto, diz não acreditar que a UE “possa chegar a sugar sangue suficiente dos gregos (e de espanhóis, italianos, irlandeses e portugueses) para que isso possa funcionar”. Para ele, seria “muito mais razoável” a Alemanha promover um incremento dos salários de seus trabalhadores “para conseguir competitividade dentro da UE pela via de elevar o nível geral”. Ele se diz, porém, descrente em relação a essa opção, devido ao fato de que “a Alemanha olha para além das fronteiras européias, sobretudo na direção do Leste”. E conclui: “Por conseguinte, seguirá empenhada em cortar seus próprios custos trabalhistas, e as nações periféricas nunca conseguirão arrastar a Alemanha para um desfiladeiro comum”, prevê.

Alforria parcial
A partir de 2012, um carro zero quilômetro emplacado num determinado ano não precisará se submeter à vistoria veicular no ano seguinte. Por exemplo, um automóvel de passeio comprado em 2011 só será submetido a vistoria em 2013. Isto, claro, no Rio de Janeiro, estado que mantém a ineficiente vistoria. Segundo o presidente do Detran-RJ, Fernando Avelino, a mudança deixará fora da vistoria cerca de 300 mil automóveis, que também deixarão de pagar a taxa de licenciamento anual, hoje fixada em R$ 90,30.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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