Tiro nӇgua

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, se juntou ao coro de críticas ao lamentável relatório da OCDE sobre o Brasil, divulgado semana passada. No texto, a instituição multilateral praticamente culpa a concorrência do BNDES, que pratica juros mais baixos,  pela atrofia do financiamento privado de longo prazo no país. “O relatório deu tiro n”água em vários assuntos. A poupança, no Brasil, está ancorada em ativos de curto prazo, que pagam juros altos. O BNDES inclusive tem se esforçado para alavancar o mercado privado de longo prazo”, argumenta Coutinho.

Interesses explícitos
Entre os “tiros n”água”, a OCDE afirma que o país precisa de “ajuda” de poupança externa para melhorar a infra-estrutura de água e esgoto, além de insistir na tese do “déficit” da Previdência. A OCDE quer, ainda, retirar da Petrobras o direito de participação em 30% em todos os contratos de exploração de petróleo do pré-sal, conforme noticiou o MM na edição do último final de semana.

Dois avanços
A ampliação do uso dos Direitos Especiais de Saque (SDR, em inglês) do FMI e a questão das fontes de financiamento para investimentos em projetos de infra-estrutura são dois pontos destacados por Mario Lettieri e Paolo Raimondi, da Resenha Estratégica, como positivas nas reuniões européias para buscar uma saída para a crise.
O primeiro, “claramente motivada pelo grupo Brics e outros países emergentes”, é classificada como “uma contribuição para a evolução do sistema monetário internacional. É a primeira vez que, em um ato oficial de importância internacional, se menciona o processo de superação do sistema do dólar e se faz referência a uma cesta de moedas, em substituição à moeda estadunidense como referência global.”
Quanto à infra-estrutura, a inclusão é considerada um passo na direção certa. “Tal proposta tem sido veiculada há algum tempo, entre países emergentes e algumas instituições européias.”

Segurança interna
A Associação Comercial do Rio de Janeiro realizará curso para empresários, executivos e gestores sobre a atividade de inteligência, voltado para a proteção dos segredos, dos negócios e segurança dos processos, pessoas e instalações. Os instrutores são oficiais de inteligência oriundos do governo e das Forças Armadas. Mais informações: www.acrj.org.br/curso

Que mercado
Um economista leitor da coluna ironiza os que apresentam a alta dos juros como uma reivindicação do “mercado”: “O mercado não é só financeiro. O mercado também é o padeiro, o quintadeiro, o dono do açougue. Também é bom para o padeiro, para o quitandeiro, para o dono do açougue elevar os juros?”

Mitos
Aliás, mito por mito, parece ser mais crível o do Saci Pererê, cuja existência muitos juram já ter presenciado, coisa ainda inédita em relação ao “mercado”.

GPS
Apesar de estar no Brasil há quase 15 anos, a rede multinacional de construção Leroy Merlin ainda parece perdida geograficamente. Acabou de inaugurar uma loja em Jacarepaguá, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Mas no site da empresa o bairro aparece como uma cidade, no mesmo nível da Capital e de Niterói.

Na cara
Menina dos olhos do programa Asfalto Liso, do prefeito carioca Eduardo Paes, a Av. Presidente Vargas já dá sinais prematuros de má qualidade dos serviços. Um enorme buraco estraga os pneus dos carros bem em frente ao Piranhão, sede administrativa da Prefeitura.

Nove zeros
A ser efetiva e permanente a decisão da presidente Dilma de redefinir a postura do governo em relação às ONGs, estará dando passo fundamental no processo de desprivatização do Estado brasileiro. Para isso, no entanto, a lupa nos contratos não pode se restringir às organizações ligadas a políticos. É preciso estancar a transferência de atividades típicas de Estado, como planejamento, para ONGs vinculadas a empresários de grande piso no Produto Interno Bruto (PIB) tupiniquim, cujos contratos giram na casa dos nove zeros.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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