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FH precisou de 3.655 palavras para demonstrar, em discurso ontem, durante lançamento da Agência Nacional Águas (ironicamente já apelidada de Anágua), que não entendeu nada da importância do gerenciamento de recursos hídricos. Gastando tempo e paciência dos ouvintes em assuntos isolados sobre a seca no Nordeste, FH apenas confirmou que o projeto do Governo para o manejo das águas é nenhum. As empresas estrangeiras que abocanharem – se nada for feito para impedir – as geradoras de energia hidrelétrica poderão fazer o que bem quiser com rios e barragens, visando apenas aumentar seus lucros.

Mercado de mão única
“O mercado tem flutuado muito e quem garante emprego é o mercado.”” Assim reagiu o presidente da Ford Brasil, Antonio Maciel Neto, à proposta de manter por um ano os trabalhadores da unidade Ipiranga da montadora, após a transferência para São Bernardo do Campo. E quem garante os investimentos da multinacional na Bahia é o governo – federal e estadual – e o generoso BNDES.

De volta
Apesar de ter entrado em moratória no ano passado – atitude considerada mortal pelos financistas internacionais – a Rússia volta a receber empréstimos do Banco Mundial e do FMI, que podem chegar a quase US$ 6 bilhões. Breve, breve, volta ao mercado – desde que garanta gordos juros aos especuladores.

Radar privado
Quem pretende voar para a Inglaterra deve se apressar – ou então optar pela ida à França e travessia do Canal da Mancha. O Governo inglês anunciou a intenção de privatizar 51% dos controles de tráfego aéreo no país. A decisão está motivando protestos dos trabalhadores do setor, que temem pela segurança dos vôos. O receio não é em vão. Berço da neo-privatização dos serviços públicos, a Inglaterra enfrenta problemas com os serviços de trem – que abandonaram a tradicional pontualidade britânica – e de abastecimento de gás para calefação. A busca incessante de lucros para satisfazer os investidores vai destruir o sistema de controle aéreo, acusam os trabalhadores. O Governo alega que o investimento privado é essencial para fazer frente ao crescimento do tráfego de aviões.

Atraso
Quase um ano depois de privatizadas as teles, FH deve nomear esta semana o ouvidor da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que será o responsável por receber queixas dos consumidores. A informação é do ministro Pimenta da Veiga, das Telecomunicações, que acrescentou que já apresentou um nome a FH. Levando-se em conta o fiasco da Anatel e a catástrofe que foram as últimas nomeações tucanas, o usuário do sistema de telefonia pode ir se preparando para novos problemas pela frente.

Mais um
O Sindicon (sindicato das empresas de asseio e conservação) de São Paulo obteve liminar contra o pagamento da CPMF, o que vai beneficiar cerca de 2 mil empresas do setor. A liminar foi concedida pela juíza Vanessa Vieira de Mello. O Sindicon obteve, recentemente, liminar contra o aumento do valor do vale-transporte.

Alternativas
O aumento do uso do alumínio na indústria automotiva é uma das possíveis saídas para a retomada de crescimento da venda do metal, o que também pode significar grande impulso para a reciclagem. A previsão é de Kona Haque, consultora da Metal Bulletin Research, publicação inglesa especializada em mercado de alumínio. Ela estará discutindo este tema na palestra “O Alumínio no Novo Milênio – Consequências para o Mercado de Reciclagem”, durante o V Seminário Internacional de Reciclagem do Alumínio, de 1 a 3 de setembro, em São Paulo. A crescente demanda pelo metal nos últimos anos foi freada pela crise asiática, que provocou queda no valor do produto e reduziu a potencialidade da reciclagem. Kona Haque acredita que o reciclador deve destacar, além da qualidade e segurança, a preocupação com a proteção ambiental.

Risco futuro
A proposta do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, de captar recursos no mercado futuro para financiar a produção agrícola traz uma grave risco para os produtores. Esquema semelhante baqueou os produtores de milho norte-americanos, obrigando o Governo a correr para salvá-los. Garantidos, só os lucros dos investidores nas bolsas.

Cavando buracos
Foi preciso uma paralisação nacional dos caminhoneiros para que o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, reconhecesse que desde setembro do ano passado as obras de recuperação de estradas no país estão paralisadas por falta de recursos. Promete o ministro que, até agosto, serão liberados R$ 170 milhões para a recuperação de algumas rodovias. Ou seja, um ano de buracos com chancela do Governo Federal e do FMI.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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