Todos por 21

Moradores de Cubatão (SP) promoveram uma carreata, com  mais de 50 veículos, de protesto contra a Telefônica, devido ao fechamento, em março, da loja e do posto de serviço da empresa na cidade, que fica a 62 km da capital. Além da carreata, foi afixado outdoor que propõe um boicote à Telefônica e pede às pessoas que adotem, a partir de amanhã, o código 21, da concorrente Embratel, em chamadas interurbanas. “Um por todos, todos por um, disque só o 21” é o slogan. O movimento, intitulado Se Liga Telefônica, Cubatão Merece Respeito, pretende espalhar outros 300 outdoors pela Baixada Santista e prepara mais duas manifestações – em frente aos prédios da Bolsa de Valores e da Telefônica, em São Paulo – e um acampamento diante da sede regional da empresa em Santos. A manifestação comprova que decisões administrativas equivocadas, tomadas quase sempre com intuito de elevar o lucro, se somam a uma fraca estratégia de comunicação para resultar em maus serviços e uma péssima imagem junto ao consumidor. A médio prazo, isso pode resultar em prejuízos consideráveis.

Fora do ar
Depois do sonho, a inadimplência. As operadoras de celular estão preocupadas com o aumento das contas em atraso e decidiram montar uma espécie de SPC do telefone. A idéia é impedir que um consumidor inadimplente com uma empresa vá parar na concorrente. Fariam melhor negócio se reduzissem as salgadas tarifas, especialmente de assinatura.

Susto
Um dos principais organizadores da bem sucedida visita do presidente de Cuba, Fidel Castro, ao Brasil, o jornalista Arthur José Poerner, presidente da Casa Cuba-Brasil, não pôde acompanhar o líder cubano em Minas Gerais, ontem. Um susto, provocado pelo coração, fez com que Poerner tivesse que permanecer no Rio. Nada muito preocupante: ele já está de volta à batalha.

Virtual
O Mercosul parece estar afinado quando opera no mercado futuro. Ontem, FH disse esperar que o PIB cresça 4% no ano que vem. Mesma taxa prometida pelo secretário do Tesouro da Argentina, Pablo Guidoti.

Aplausos
Cerca de 2.500 pessoas, a maioria universitários que participam do 46º Congresso Nacional da UNE (União Nacional dos Estudantes), assistiram ao discurso e vibraram com o presidente cubano Fidel Castro, ontem à tarde, no ginásio do Mineirinho, em Belo Horizonte. Fidel deixara o Rio fazendo repetidos elogios aos brasileiros e dizendo que “sonharia com o Rio.”
Bomba
Durante o discurso na UNE, Fidel Castro teve contratempos com o som. Em uma das falhas do sistema, que provocou um grande ruído, ele interrompeu a sua fala e disse: “São bombas? É um princípio de intervenção da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte)”. Foi a primeira pausa para que recebesse os aplausos dos estudantes.

Negado
A segunda turma do Tribunal Regional Federal de São Paulo negou, por unanimidade, recurso do Ministério Público Federal contra sentença que rejeitou denúncia sobre suposta difamação que teria sido praticada por Luiz Inácio Lula da Silva contra o presidente Fernando Henrique Cardoso. Lula afirmara que FH  “está dando de graça o maior patrimônio público desse país, possivelmente para fazer caixa-dois para a campanha eleitoral”. A defesa de Lula, feita pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, argumentou que o petista aventara “mera possibilidade”” de irregularidade, o que impossibilitaria a caracterização de crime de difamação, como queria FH.

Concorrência
As criativas propagandas das empresas de telefonia anunciando o novo sistema de DDD esqueceram de tocar num ponto fundamental: o valor das tarifas. O complicado sistema criado pela Anatel para interurbanos só se justifica por um motivo: a competição. E competição, num regime capitalista, significa preço menor. Quem oferecer o valor  mais baixo leva o consumidor. Ou no Brasil tucano privatizado é diferente?

Business
O Bank of America está contratando três agências de propaganda para cuidar do que o norte-americano politicamente correto chama de “segmento étnico”: as populações afro-americanas, asiáticas e hispânicas. O banco está empenhado em crescer nestes três segmentos e para isso está constituindo equipes nas agências com pessoal que fale espanhol, coreano e outros idiomas. As firmas de publicidade contratadas têm ampla experiência em cada um dos mercados.

Falido
FH não pôde, como tradicionalmente fazia no aniversário do Plano Real, tomar seu café da manhã na padaria do seu José Pacífico Neto, em Brasília. Não porque faltasse vontade a ele e aos marqueteiros de plantão. Acontece que a padaria, modelo do sucesso do plano de estabilização, faliu e foi arrendada. Quem esteve lá ontem, e fez a festa, foi a oposição.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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