Toma que o filho é seu

O estrago político provocado pelos dias de cão vividos pelos paulista provocou nova fissura nas já tensas relações entre PFL e PSDB causadas pelo ritmo errático de Geraldo Alckmin nas pesquisas eleitorais. Ao tentar defender a insossa atuação do governador Cláudio Lembo, o PFL apressou-se em lembrar em seu site que, apesar de estar “à frente de uma administração que não montou, mas herdou do ex-governador Alckmin”, Lembo “surpreendeu” e “vai enfrentar agora a fase mais difícil: restaurar a confiança pública no sistema de segurança, dentro da lei”.

TCU vai ao BB
O Tribunal de Contas da União (TCU) fará auditoria no Banco do Brasil para apurar indícios de irregularidades em patrocínios concedidos pela instituição, em especial em eventos destinados ao Judiciário e ao esporte, entre 2001 e 2005. A auditoria foi pedida pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que se baseou em notícias sobre que apontavam uma espécie de swap, com o banco supostamente beneficiando magistrados por ser parte interessada em diversos processos. Os maiores patrocínios destinados pelo BB ao esporte  foram para vôlei e tênis.

O dobro
Esta coluna se equivocou ao estimar em R$ 50 milhões a soma das indenizações de processo movido por moradores do condomínio de luxo Golden Green, na Barra da Tijuca (RJ), contra a GD Empreendimentos e Anglo American. A causa, na verdade, pode bater os R$ 100 milhões. Dezessete condôminos tiveram, no mês passado, seu pedido de indenização reconhecido pela 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça. No acórdão, os desembargadores deixam claro que a causa somente prescreve em 20 anos. Assim, os demais condôminos prejudicados – tiveram a prometida vista dos apartamentos para o mar transformada num oceano de cimento – estão procurando os escritórios de advocacia Laudo de Camargo e Dutra Leite, Brandão Cavalcanti para iniciar novas causas.

Sem protelação
Foi aprovado em discussão única projeto do deputado estadual Paulo Ramos (líder do PDT na Assembléia Legislativa do Rio) que libera o início de obras quando a Feema e a Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca) não cumprirem prazos de autorizações ambientais. O projeto vai a sanção da governadora Rosinha Garotinho.

Crise no campo
A Agrishow Ribeirão Preto está registrando um dos menores números de visitantes de suas 13 edições seguidas. O principal evento do setor no país e na América Latina começou e está ocorrendo debaixo de um cenário bastante desfavorável: a revolta dos plantadores de grãos, em especial de soja, com os prejuízos sofridos com a desvalorização do dólar. As perdas estimadas pelos fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas para este ano oscilam entre 10% e 60%.
Ninguém fala sobre previsões de vendas durante o evento, limitando-se a arriscar que os resultados até o final do ano, se foram parecidos com os de 2005, que também foi um ano ruim devido a problemas de seca, podem ser considerados bons.

Dólar
Apesar do clima de receio a presença de expositores na Agrishow ainda é considerada positiva apesar da ausência de alguns dos tradicionais frequentadores da feira. Pelo lado dos fabricantes de máquinas e equipamentos as opiniões estão divididas com relação à questão cambial. Há aqueles que responsabilizam o dólar, como o diretor de Marketing, Vendas Engenharia da Cummins Latin America, Luis Pasquotto, ao pintar um quadro sombrio de 2005/2006. A média de 4 mil a 5 mil de motores vendidos até 2004 caiu para 2 mil no ano passado. Segundo Pasquotto, ainda é cedo para previsões no ano curso. “Só após a virada do semestre será possível melhor dimensionar como será o comportamento até o final do ano e em 2007”.

Infra-estrutura
Já o vice-presidente da Case IH, Francesco Pallaro, não coloca no câmbio a motivo maior do pessimismo, mas em problemas relacionados com infra-estrutura, principalmente transportes. Apesar de afirmar que “nem todo agronegócio está em dificuldades”, divulgou números nada satisfatórios: de vendas anuais entre 4 mil e 5 mil colheitadeiras vendidas em média até o ano passado, ficará feliz se chegar a 1 mil em 2006. Para o executivo, a situação do setor agrícola só não é pior graças à recuperação da cana-de-açúcar. Mas ressalta que os custos do setor agrícola só serão reduzidos substancialmente com uma acertada política de infra-estrutura.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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