Trabalhadores perderam US$ 3,7 trilhões com a pandemia

OIT registra preocupação com recuperação em forma de ‘K’, em que mais atingidos ficariam para trás.

Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) assinala que 8,8% das horas de trabalho globais foram perdidas no ano passado (comparado ao quarto trimestre de 2019), o que equivale a 255 milhões de empregos em tempo integral. Esse número é aproximadamente quatro vezes superior ao número perdido durante a crise financeira global de 2009.

Essas perdas resultaram em uma queda de 8,3 % da renda global do trabalho (antes de se contabilizarem as medidas de apoio), equivalente a US$ 3,7 trilhões, ou 4,4 % do Produto Interno Bruto (PIB) global.

As horas de trabalho perdidas são explicadas por jornadas de trabalho reduzidas para aquelas pessoas que estão empregadas ou por níveis “sem precedentes” de perda de emprego, que atingiram 114 milhões de pessoas.

De acordo com a sétima edição do “Monitor OIT: Covid-19 e o mundo do trabalho”, 71% dessas perdas de emprego (81 milhões de pessoas) vieram na forma de inatividade, e não de desemprego, o que significa que as pessoas deixaram o mercado de trabalho porque não conseguiam trabalhar, talvez devido a restrições impostas pela pandemia ou simplesmente pararam de procurar por trabalho. Analisar apenas para o desemprego subestima drasticamente o impacto da Covid-19 no mercado de trabalho, assinala a OIT.

O relatório mostra o impacto desigual em diferentes setores econômicos, geográficos e do mercado de trabalho. Ele destaca as preocupações com uma “recuperação em forma de K”, em que esses setores e trabalhadores mais atingidos podem ser deixados para trás na recuperação, levando a um aumento da desigualdade, a menos que sejam tomadas medidas corretivas.

As mulheres têm sido mais afetadas do que os homens pelas perturbações do mercado de trabalho causadas pela pandemia. Globalmente, as perdas de emprego das mulheres situam-se nos 5%, contra 3,9% dos homens. Em particular, as mulheres tinham muito mais probabilidade do que os homens de abandonar o mercado de trabalho e de tornar-se inativas.

Os trabalhadores mais jovens também foram particularmente atingidos, seja perdendo empregos, abandonando a força de trabalho ou adiando sua entrada no mercado de trabalho. A perda de emprego entre os jovens (15-24 anos) foi de 8,7%, comparado com 3,7 % para a população adulta, o que “destaca o risco muito real de uma geração perdida”, segundo o Monitor.

O setor mais afetado foi o de hospedagem e alimentação, onde o emprego diminuiu em mais de 20%, em média, seguido pelos setores do varejo e da indústria. Em contraste, o emprego nos setores de informação e comunicação, e finanças e seguros aumentou nos segundo e terceiro trimestres de 2020. Aumentos marginais também foram observados na mineração, na extração e nos serviços públicos.

 

Perspectivas melhores

 

Embora ainda haja um alto grau de incerteza, as últimas projeções para 2021 mostram que a maioria dos países experimentará uma recuperação relativamente forte no segundo semestre do ano, à medida que os programas de vacinação entrarem vigor.

O Monitor OIT apresenta três cenários de recuperação: de referência; pessimista; e otimista. O cenário de referência (que se baseia nas previsões do Fundo Monetário Internacional de outubro de 2020), projeta uma perda de 3% das horas de trabalho globalmente, em 2021 (em comparação com o quarto trimestre de 2019), o que equivale a 90 milhões de empregos em tempo integral.

No cenário pessimista, que pressupõe progresso lento, principalmente no que diz respeito à imunização, a jornada de trabalho diminuiria 4,6%, enquanto no cenário otimista, a queda seria de 1,3%. Tudo dependerá se a pandemia estiver sob controle e se houver uma renovada confiança entre consumidores e empresas.

Em todos os cenários, as Américas, a Europa e a Ásia Central registrariam cerca do dobro da perda de horas trabalhadas comparado com as demais regiões.

“Os sinais de recuperação que vemos são encorajadores, mas são frágeis e muito incertos, e devemos lembrar que nenhum país ou grupo pode se recuperar sozinho”, afirmou o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

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