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terça-feira, janeiro 19, 2021

Trabalho remoto: será definitivo?

Você se queixava das horas perdidas no trânsito, indo e vindo do trabalho. Gostaria de morar numa cidade menor, na praia ou no campo, longe da poluição. Sonhava em viajar menos a serviço e ter mais tempo para a família.

O incrível avanço tecnológico dos últimos anos trouxe uma conectividade e um conjunto de recursos apoiados pela Inteligência Artificial que anunciavam a possibilidade de uma revolução próxima, prevista para acontecer em um prazo de 5 a 10 anos. De repente, a Covid-19 surgiu e além de muito sofrimento trouxe um efeito colateral inesperado: acelerou processos que impactaram nosso modo de trabalhar e de viver.

A transformação que sentimos mais rapidamente aconteceu no trabalho. De repente, o escritório se tornou desnecessário. As empresas perceberam que as atividades feitas pelos funcionários em suas casas não reduziram e sim aumentaram a produtividade. A ponto de empresas como Google e Facebook já terem avisado que seus funcionários não precisam voltar para os escritórios antes de 2021.

O plano de muitas empresas é tornar permanente o home office, o trabalho remoto. A redução de custos proibitivos de aluguel pode levar à redução de preços. Então, como consumidores, temos uma vantagem. Mas é do ponto de vista do profissional que as vantagens se destacam.

Se a internet é suficiente para nossas tarefas e contatos, estamos livres do tempo perdido em congestionamentos intermináveis. E não precisamos mais viver em cidades grandes e poluídas. Já não faz diferença onde estamos. Importa a conectividade, pois já aprendemos que plataformas como Zoom e Teams podem, sim, substituir o “olho no olho” seja para compartilhar conhecimento, seja para fazer negócios.

Claro que há uma fase de adaptação. Continua sendo importante ter um espaço confortável, adequado e silencioso. Seja para compor aquela música, pintar aquele quadro ou simplesmente fazer aquele relatório. Quanto às webex, estamos bem mais tolerantes com latidos, miados ou mesmo com o choro de crianças que reivindicam a atenção dos pais, agora mais próximos.

Para ficar melhor, só falta criarmos condições para que todos possam se beneficiar dessa nova realidade. Ainda há muitos trabalhos que demandam a ação presencial. O escritório foi para casa, mas… e a fábrica? E o restaurante?

Este é um momento de pensarmos coletivamente. Excelente ocasião para trabalhar de modo que a tecnologia que nos favorece não se transforme em mais um elemento de desigualdade. Assim, aos direitos consagrados à saúde e educação, soma-se o da conectividade, com todos tendo acesso à internet, tablets e computadores. Para que esse mundo novo já comece melhor que o antigo: com oportunidades para todos.

 

Marisa Melo

Artista, idealizadora da galeria de arte itinerante UP Time Art Gallery.

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