Tranquilidade

Enquanto outros países da Europa se cercam cada vez mais de cuidados com a segurança de seus governantes e prédios públicos, no edifício da Presidência da República da Finlândia, em Helsinque, não pode ser visto, mesmo à noite, um guarda sequer. Nas eleições do próximo dia 15, a tese de adesão à Otan ou maior participação do país na “luta contra o terrorismo” deve ser amplamente rejeitada, como mostraram os debates durante a campanha. A presidente Tarja Halonen, com 55% das intenções de votos, nas pesquisas, deve ser reeleita no primeiro turno.

Condição russa
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, diz que seu país pode não ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC) se isso prejudicar os interesses econômicos nacionais: “Seria absurdo entrar na OMC, se este passo diminuir a liberdade econômica e comercial de nosso país”, assinalou Putin, segundo a agência oficial de notícias Itar-Tass.
Depois de negociar com a organização durante cerca de uma década, a Rússia pode entrar na OMC no fim do próximo ano, juntamente com as ex-repúblicas soviéticas Ucrânia e Cazaquistão. “Queremos entrar, mas em condições aceitáveis para a Rússia”, ressalva Putin.

Bancos, não!
Para isso, ele exige que a Rússia mantenha o direito de proibir a atuação de bancos estrangeiros no país, o que contraria uma das principais exigências da OMC para aceitar novos associados. A legislação russa, porém, determina que os bancos estrangeiros não podem operar no país através de filiais, apenas via subsidiárias, entidades bancárias com sede no território local.

Muito aquém
O comércio do Brasil com a Rússia cresce continuamente há seis anos. Este ano, até novembro, a corrente de comércio (exportações mais importações) somou US$ 3,34 bilhões, quase US$ 1 bilhão superior aos US$ 2,46 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Apesar do avanço nominal, no entanto, a pauta comercial continua concentrada em matérias primas e outros produtos de baixo valor agregado, situação pouco condizente com as aspirações de dois dos integrantes do Brics (Brasil, Rússia, Índia e China).

Força
Do saldo de R$ 25,3 bilhões de novos investimentos atraídos para o Rio Grande do Sul desde 2003, no governo Germano Rigotto, R$ 10,1 bilhões são da área de energia. Para o governo, isso significa a garantia de abastecimento dentro dos próximos anos. Até 2011 os gaúchos receberão 25 obras de geração, além de investimentos nas redes de transmissão e distribuição de energia.

Alvo errado
Os marqueteiros do presidente Lula precisam adverti-lo com presteza para que pare de apresentar a antecipação do pagamento de US$ 15 bilhões ao FMI como bandeira de campanha eleitoral. Se não, corre o risco de ouvir a desagradável pergunta: por que um governo que tem US$ 15 bilhões para gastos financeiros não tem sequer R$ 2,3 bilhões para investir nas estradas brasileiras que estão caindo aos pedaços? Ou seja, Lula precisa ser avisado que, apesar de George Soros achar o contrário, quem vota na eleição para presidente do Brasil são os brasileiros e não a diretoria do FMI.

Atropelou
Assim – como diria o presidente Lula – no futebol, o jogo só termina quando o árbitro apita, no Brasil, o escândalo do ano só pode ser eleito aos 45 minutos do dia 31 de dezembro. Quem tinha cravado no mensalão para o escândalo do ano – para dos últimos 100 anos, as privatizações são imbatíveis – teve de mudar o voto. A queima de arquivos no prédio do INSS, em Brasília, envolvendo débitos de R$ 68 bilhões com a Previdência, impôs um novo e natural candidato.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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