Transferência

O economista frnacês Pierre Salama fez a um jornalão paulista uma análise pouco comum em nossa mídia de uma só visão: “A intervenção do Estado para salvar o sistema bancário (europeu) levou ao aumento das dívidas públicas. Não foi apenas a ajuda do Estado ao sistema financeiro que provocou o crescimento do endividamento público. Houve uma contra-revolução fiscal, iniciada nos anos 1980, visando a diminuir a carga fiscal e as receitas. Isso acentuou a regressividade do sistema e produziu uma dupla desigualdade: a) entre os salários e b) entre os salários e os rendimentos de capital. Houve queda das receitas fiscais e há dificuldade de redução das despesas públicas, particularmente das de proteção social. Houve aumento de algumas despesas públicas, como as relativas à ajuda aos desempregados e às empresas em dificuldade. Houve aumento das taxas de juros causado por spreads maiores. Isso provocou a elevação das despesas públicas por causa do serviço da dívida. A esses fatores se soma a ajuda em massa ao sistema bancário.”

Sem saída
“Enquanto o Banco Central Europeu (BCE) não voltar a comprar títulos públicos não tem saída.” A afirmação é do economista Carlos Thadeu de Freitas, consultor econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), sobre mais um “tiro no pé” da chanceler Angela Merkel, da Alemanha, que voltou a rejeitar a elevação do limite do fundo permanente de resgate (Mecanismo Europeu de Estabilidade, ESM, na sigla em inglês).

Montante
Thadeu, que foi diretor da Dívida Pública do Banco Central, tem opinião semelhante à de José Luiz Oreiro, da Associação Keynesiana Brasileira (AKB). Para Oreiro, a intervenção do BCE faria os juros baixarem na Itália e em outros países endividados, garantido a solvência de suas dívidas: “A não ser o caso da Grécia, o problema das dívidas européias é a taxa de juros, não o montante”, destaca Oreiro.

Intermediário
Clientes da operadora de telefonia Vivo – e não somente dela – sofrem nas ligações para a empresa e também nas lojas. As atendentes, para resolver problemas simples, recorrem ao… telefone, para terem acesso ao sistema, quando deveriam usar o computador que fica na frente delas.

Garçom digital
De acordo com levantamento feito pelo portal www.ComerNaWeb.com.br, apenas 30% dos 5,5 mil restaurantes e 7,5 mil bares do Rio de Janeiro têm endereço virtual. Mas a busca por um atendimento na Internet tem aumentado: o número de clientes do portal – que permite reservas online e pedidos para entrega, entre outros serviços – cresceu 35% desde o início do ano.

Rejuvenescimento virtual
Um dos principais mecanismos de controle da vida social na Internet, o famoso logaritmo usado pelo Google para mapear hábitos e perfis dos usuários dos seus serviços, como tudo que tem a ilusão de reduzir a complexidade humana a visões homogêneas, têm seus cometimentos hilários. Um usuário do gmail já entrado nos 50 anos que decidiu desativar propagandas que lhe são impingidas pela empresa descobriu, entre surpreso e divertido, que, pelo perfil que lhe é atribuído pelo Google, ele tem “entre 24 e 35 anos” de idade.

O cofre (duplo) do Adhemar
Com abordagens singulares de um dos episódios históricos mais emblemáticos do período da ditadura, chegam às livrarias dois livros sobre a expropriação do cofre do Adhemar, o ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, associado ao bordão “rouba, mas faz”. Em O cofre do Dr. Rui (Civilização Brasileira), o jornalista Tom Cardoso, que entrevistou 40 personagens, opta por uma linguagem cinematográfica, para fazer o que define como “um livro-reportagem com uma pegada policial”. Já em O cofre do Adhemar, o também jornalista Alex Solnik, ex-integrante da Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares (VAR-Palmares), organização responsável pela ação, optou por uma obra mais reflexiva sobre o período.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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