Transferência

Primeiro foi Collor que acusou Luiz Inácio Lula da Silva de querer meter a mão na poupança dos brasileiros, meses antes dar o maior calote da história do país. Agora, é a vez de o ministro da Fazenda, Pedro Malan, de depois de meses acusando a oposição de planejar um calote nas dívidas interna e externa, dar uma “garrafada” de R$ 3 bilhões, segundo cálculos preliminares e conservadores, nos investidores de fundos de renda fixa. Diante desses antecedentes, é bom os brasileiros botarem a barba de molho com as insinuações de José Serra de que o Brasil é a Argentina amanhã.

Maquiagem
Os surpreendentes números oficias do desempenho da economia dos Estados Unidos têm suscitado dúvidas sobre a consistência dos indicadores. Alguns vão mais além. Para a publicação Solidariedade Ibero-americana, editada pelo MSIA – movimento que abraça as teses do economista norte-americano Lyndon LaRouche -, os dados reais estão sendo distorcidos para promover uma inexistente recuperação econômica. A publicação levanta alguns itens suspeitos; sobre o PIB, por exemplo, diz que um ajuste contábil, feito pelas empresas privadas, de US$ 36,2 bilhões no primeiro trimestre do ano, contra US$ 119,3 bilhões no trimestre anterior, foi contabilizado pelo Departamento de Comércio como uma contribuição positiva para o PIB de US$ 83,1 bilhões (diferença entre os lançamentos dos dois trimestres). Só isso representou 3,1 pontos dos 5,8% que o produto interno norte-americano teria crescido nos três primeiros meses de 2002.
Mudanças no critério de cálculo de gastos com informática fizeram essa rubrica pular de US$ 7,5 bilhões para US$ 34,4 bilhões – representando mais 1,3 ponto percentual de contribuição para o “aumento” do PIB. A “bolha do setor imobiliário” – afirma a publicação – ajuda a completar 5 pontos percentuais dos 5,8% oficiais.

Bilhete azul
Outras distorções nos dados da economia dos EUA, segundo a matéria do Solidariedade Ibero-americana, seriam menos grosseiras, mas ainda fáceis de serem identificadas. O aumento de produtividade, de 8,5% no primeiro trimestre de 2002, não consegue esconder que o resultado foi obtido pela divisão do PIB “anabolizado” pelo número de horas trabalhadas, que caíram 1,8% devido ao desemprego. A conclusão da publicação é que há uma fraude contábil com objetivo de inflar e manter artificialmente os mercados financeiros.
Talvez mostrando que essa tese não é parte de uma “teoria da conspiração”, as principais bolsas dos EUA fecharam ontem com fortes perdas, apesar da divulgação de que a produção industrial cresceu acima do esperado.

Legalize
O vexame protagonizado por Gilson Nunes, “espião” de Felipão, que se apresentou como jornalista durante o treino da Turquia, serviu de aperitivo para o que vem por aí enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não se pronunciar sobre a decisão da juíza substituta da 16ª Vara Cível de São Paulo, Carla Rister, de suspender a exigência de diploma para exercício da profissão de jornalista. O que, até então, era tipificado como falsidade ideológica, pode ser transformado em Casa da Mãe Joana.

171
O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro protestou contra a decisão da TV Globo de escalar o ex-Big Brother Adriano para trabalhar como repórter durante a Copa do Mundo. A Globo negou que Adriano tenha sido contratado como jornalista, alegando que ele participará como convidado em programas esportivos.

Passado
Os telefones dos administradores de fundos, ontem, tinham filas de espera que lembravam as da época de planos confiscatórios, como o Collor. A grita dos investidores lesados foi um primeiro ensaio para as ações que devem lotar a Justiça nos próximos dias contra a “tunga” perpetrada pelo Banco Central nos investidores.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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