Transição energética em Santa Marta, Colômbia

Embora formado o consenso sobre transição energética para reduzir dependência de combustíveis fósseis, pouco se avançou.

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Conferência sobre transição energética realizada na Colômbia em final de abril de 2026
1ª Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis (foto Ministério do Meio Ambiente da Colômbia)

Em final de abril de 2026 a Colômbia sediou, em Santa Marta, a 1ª Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis. Além de representar uma importante ação de cooperação global na agenda de clima e biodiversidade, a iniciativa visa prosseguir na elaboração do “Mapa do Caminho” para superar a dependência dos combustíveis fósseis delineada pela Presidência da COP 30 realizada em Belém do Pará, no Brasil, em novembro de 2025.

A reunião foi conduzida pela ministra de Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, onde 56 países, dentre estes, grandes produtores de carvão e petróleo, como Austrália, Turquia, Canadá e Noruega, além de representantes da sociedade civil, indígenas e comunidades tradicionais concordaram com a necessária superação de dependência econômica de hidrocarbonetos, focando em uma implementação prática e debatendo soluções.

Embora formado o consenso em torno das consequências nefastas da queima de combustíveis fósseis como petróleo, carvão e gás natural na luta para manter a temperatura global na média de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, conforme acordado em Paris na COP 21, não se avançou senão em novas promessas de cooperação para a necessária transição energética.

Para implementar a busca de estratégias para abandonar o petróleo e ajudar a guiar a transição energética, será criado um comitê diretor para planejar as discussões, além de um painel científico composto por cientistas de clima, da economia e tecnologia. As frentes de trabalho irão desenvolver políticas comerciais a exemplo da reforma do sistema financeiro e o fim de subsídios aos combustíveis fósseis.

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Estamos vendo como a importância dos combustíveis fósseis se evidenciou na escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã em 2026. A grande dependência mundial desses recursos energéticos imobiliza a economia global. Enquanto a transição energética não avançar, não é apenas o preço do petróleo que sobe, mas também o termômetro da temperatura global, provocando toda sorte de mudanças e desastres climáticos.

Cada país a exemplo da França que apresentou seu roteiro para o fim do uso de carvão até 2030, petróleo até 2045 e gás para produção de energia até 2050, tem a obrigação de apresentar suas propostas para essa eliminação progressiva. Foi essa a proposta constante de uma carta aberta de mais de 250 juristas presentes na conferência. O financiamento para a transição também será essencial ainda que considerando que soluções financeiras não substituem aquilo que se perde, como “o espírito do território”, conforme apontado pelos líderes indígenas.

Santa Marta traçou uma linha nítida de que estamos lidando contra o tempo. Na próxima conferência, em Tuvalu, pequeno Estado insular do Pacífico que sofre com a sua vulnerabilidade à elevação do nível do mar, decerto faremos coro com a sua ministra do Clima que afirmou “isto não é uma posição negocial, é uma questão de sobrevivência”.

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