Transmissoras serão as menos afetadas no setor de energia

Distribuidoras sofrerão um impacto direto maior com as medidas emergenciais.

Acredite se Puder / 18:08 - 25 de mar de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Depois que a Agência Nacional de Energia Elétrica suspendeu por 90 dias os cortes de eletricidade dos consumidores residenciais com contas em atraso, os analistas começaram a avaliar melhor as ações do setor de energia e de algumas das concessionárias de água e saneamento. Fornecedores de água e saneamento, como a Sabesp, também suspenderam por igual período a cobrança da tarifa para consumidores de baixa renda, medida para aliviar a população em meio à epidemia do coronavírus.

No relatório do Bradesco BBI, os analistas escolheram a Taesa, como a mais defensiva do setor, pelo fato de que sua base de clientes é no interior de Minas Gerais e no Centro-Oeste, regiões que deverão ser menos afetada pelo vírus chinês. Além disto, é uma transmissora, não uma distribuidora de energia, devendo ser menos impactada pela suspensão dos cortes dos consumidores com contas em atraso. Ressaltam também que suas ações recuperaram apenas 0,7% e possuem um bom potencial de valorização. Esses técnicos, no entanto, acham que os papéis da Eletrobras, Cemig e Sanepar são os de maior risco no cenário atual, mas não deixam de recomendá-las para os investidores propensos a gastar mais adrenalina.

Os especialistas do Morgan Stanley, no entanto, ressaltam que entre as empresas de energia, as distribuidoras sofrerão um impacto direto maior com as medidas e consideram como as mais expostas: Equatorial, Light, CPFL, Energias do Brasil, Cemig e Copel. Com relação ao setor de água e saneamento, preferem a Copasa e a Sanepar, do que a Sabesp.

 

Começaram os exageros

A rede mineira de laboratórios e exames clínicos Instituto Hermes Pardini revelou mirrado lucro de R$ 44,3 milhões no quarto trimestre, com crescimento de 67,3% sobre igual trimestre de 2018. Não se sabe o motivo, mas suas ações subiram mais de 25% e chegaram a R$ 19. Para o Bradesco BBI, os resultados seriam decepcionantes se não fossem operacionais como lucro e Ebitda, que no geral vieram em linha com as projeções. Além disso, destaca que o projeto Enterprise de redução de custos ainda não atingiu os objetivos estabelecidos e a empresa gastou mais dinheiro na aquisição de laboratórios, tornando o crescimento orgânico um desafio. E o banco mantém como neutra a recomendação para a ação.

O Itaú BBA fez avaliação mais otimista, considerando os resultados como positivos e que a lucratividade continua em alta, mas em um ambiente bem mais competitivo nos laboratórios, destacando que o crescimento do volume de vendas terá papel determinante na expansão futura deles. Engraçado é que banco manteve a recomendação de desempenho em linha com a média do mercado e preço-alvo de R$ 27 para a ação, uma alta de 81,01% sobre os R$ 14,91 de fechamento do pregão da terça-feira. E se a CVM quiser apurar, vai verificar que algum dos seus fundos teve participação.

 

Ação da Usiminas sobe mais de 20%

As ações da Usiminas subiram mais de 20% no pregão desta quarta-feira e voltaram a ser negociadas a R$ 4,85. A pressão compradora foi motivada pela notícia de que receberá em 30 dias, R$ 393,9 milhões em uma única parcela, após fazer acordo com a administradora do seu antigo fundo de pensão, que foi homologado pelo juiz da 3ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte e permitiu a extinção do processo judicial ajuizado em 27 de junho pela companhia. O valor será pago em parcela única, em até 30 dias, contados a partir da data de homologação do acordo para pagamento. O objetivo desse processo era eximir a siderúrgica de continuar com o pagamento das parcelas mensais do programa de amortização do déficit do Plano de Previdência Complementar.

Para os analistas do Morgan Stanley a Usiminas teve uma “surpresa positiva” com a vitória no judiciário, pois essa quantia representará um reforço de caixa, ressaltando que a empresa encerrou 2019 com um balanço sólido e prevê pequenas amortizações da dívida entre 2020 e 2022. Para os do Itaú BBA esse recebimento inesperado vai representar um aumento de 20% no caixa.

 

MRV vai recomprar ações até 2021

Antes da crisse, as açõess da MRV chegaram a ser negociadas por mais de R$ 20. Durante a crise baixaram até R$ 10 e, no pregão da quarta-feira, registraram alta de quase 14% e voltaram para o nível de R$ 13,60. A justificativa para tal excitação foi que a construtora e incorporadora mineira aprovou um plano de recompra de 15 milhões de suas ações, numa operação que se estenderá até 2021. Os intermediários serão os bancos Itaú, Bradesco, Credit Suisse, Santander e BTG Pactual. A MRV possui reservas de capital de R$ 49,5 milhões e outros R$ 475,5 milhões na reserva de lucros para efetuar a operação.

 

Natura na contramão dos acontecimentos

A Natura suspenderá temporariamente a produção de maquiagens e perfumes das suas fábricas e da controlada Avon na América Latina, que passarão a produzir álcool gel e líquido. Parece que, com a quarentena, as mulheres deixaram de usar e comprar perfumes. Inexplicavelmente, as ações da Natura subiram 17% e passaram dos R$ 29.

 

Petrobras faz negócio de asfalto de R$ 350 mi

A Petrobras fechou acordo Cimento Asfáltico de Petróleo e Asfalto Diluído de Petróleo no valor de R$ 350 milhões para a compra e venda de asfalto com a coligada Stratura, subsidiária da BR Distribuidora com fábrica em Paulínia (SP).

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor