Transparência

A Fenaseg, entidade que reúne seguradoras e empresas de previdência e capitalização, pretende pleitear à Susep (Superintendência de Seguros Privados) o fim da obrigatoriedade de publicação de balanços semestrais pelas empresas que representa. Com esse objetivo, distribuiu circular para que as filiadas opinem. Essa coluna sugere que, ao encaminhar a proposta à Susep, a Fenaseg apresente um abaixo-assinado, que poderia ser encabeçado pela Interunion e pela Cia. Internacional de Seguros.

Moderno
No lançamento do Plano Plurianual, misturado a algumas nulidades como “a gestão empreendedora é o conceito-chave”, FH aproveitou para mandar um recado para os setores produtivos que criticam o governo. Segundo ele, a “defesa do passado de subsídios, taxas de juros protetoras, reserva de mercado, Estado guarda-chuva, críticas ao Estado e lucros fáceis; essa época acabou. É o fim da oligarquia.” Então fica combinado assim: subsídios estatais, no governo tucano, só para banqueiros falidos e amigos do poder às vésperas de privatização.

Fim das ilusões
O governador Anthony Garotinho parece ter cansado de acreditar em Papai Noel. Depois de esperar em vão por recompensas substantivas do governo FH por seus esforços para desacelerar as ações da frente de governadores da oposição, Garotinho parece ter caído na real. Ontem, antes de discursar alertando para o risco de o Rio de Janeiro entrar em moratória no próximo mês, o senador Saturnino Braga (PSB-RJ) conversou longamente com Luiz Fernando Vítor. Trata-se de um dos principais conselheiros econômicos do governador do Rio.

Nos tribunais
Nos próximos dias, o Ministério Público de Brasília ingressa com nova ação contra os Bancos Marka e FonteCindam. Boa parte da ação se baseia nos dados apresentados pelo deputado Aluizio Mercadante (PT-SP) em sua exposição à CPI dos Bancos. Não por acaso, os governistas manobraram ao máximo para reduzir a repercussão dos fatos expostos por Mercadante. Pelo visto, porém, as manobras acabaram sendo em vão.

Crueldade engordada
Em depoimento quarta-feira em reunião conjunta das Comissões de Assuntos Socais (CAS) e de Assuntos Econômicos (CAE) da Câmara dos Deputados, o presidente do Incra, Nelson Borges Gonçalves Gonçalves, admitiu que a concentração de terra aumentou nos últimos anos. Depois de ressaltar que considera que o programa de reforma agrária tem avançado a partir de 1995, acrescentou que ainda não foram concluídos os últimos dados sobre o atlas fundiário do país, mas admitiu que há informações extra-oficiais de que a situação piorou nos últimos anos. “A situação é mais cruel hoje, pois há uma concentração maior de terra”, reconheceu. Nos últimos anos, o país teve à frente o mesmo governo a que Gonçalves serve.
Liquidação
Na mesma reunião, Gonçalves provocou a ira do presidente da CAS, deputado Osmar Dias (PSDB-PR), ao declarar que a melhor coisa para a reforma agrária foi a queda do preço da terra, por baratear as desapropriações : “Eu me arrepio quando ouço essa afirmação, pois isso é um erro. É condenar os proprietários de terra, que não têm culpa das ações de ineficiência do governo na área agrícola”, criticou furioso Dias, acrescentando que “condena com veemência a proposta de desapropriar a terra primeiro para, depois, se fazer a reforma agrária”.

Expediente integral
Os bancos podem passar a funcionar de 9h às 17h em todo o território nacional, se o Congresso aprovar projeto nesse sentido do deputado Enio Bacci ( PDT-RS). Pela proposta, durante esse período deverão funcionar ininterruptamente todos os setores indispensáveis para o público, como depósitos, pagamentos e saques. Com o prestígio da banca em baixa no Parlamento, o projeto leva chances.

Pintando o sete
Curiosidade histórica: o Museu de Arte Moderna (MAM), onde será realizada a reunião de cúpula de América Latina, Caribe e União Européia, foi palco da única reunião do FMI no Brasil. A reunião foi realizada em 1967, ocasião em que foi construído o anexo do museu, mais tarde transformado em primeira sede do Ibmec.

Nem aí
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco calculou em US$ 100 bilhões o prejuízo causado ao país pela desvalorização cambial. Principal porta-voz do populismo cambial, que elevou a dívida mobiliária de R$ 61 bilhões para R$ 500 bilhões, Franco não deu um pio sobre a responsabilidade dos que, quando até os contínuos do Planalto sabiam que a sobrevalorização do real era morta, atrelaram mais de 30% da dívida pública à variação cambial. Ou seja, Franco continua devendo aos brasileiros um humilde pedido de desculpas por sua desastrosa administração.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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