Três em cada cinco motoristas deixariam apps se tivessem outra opção de trabalho

Mais de 75% dizem que plataformas não se preocupam com eles

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Motorista de aplicativo (foto de divulgação)
Motorista de aplicativo (foto de divulgação)

O trabalho por aplicativo, que começou como promessa de autonomia e flexibilidade, tornou-se, para muitos, a principal fonte de sobrevivência. A nova edição da Pesquisa Nacional dos Trabalhadores de App, realizada pela GigU, mostra que 60,5% dos profissionais deixariam os aplicativos imediatamente se tivessem outra opção de trabalho. O levantamento revela um retrato de jornadas exaustivas, lucros apertados e uma relação marcada pela falta de transparência e diálogo com as plataformas.

Mais de dois terços dos entrevistados (67,9%) afirmam que atuam por necessidade, e não por escolha. A principal motivação é o complemento de renda (39,5%), seguida do desemprego (35,8%) e da flexibilidade de horário (31,2%). Apesar de o modelo ser amplamente difundido – segundo a Pnad Contínua, entre 2022 e 2024 mais de 300 mil pessoas passaram a trabalhar via plataformas digitais – o estudo mostra que, na prática, os ganhos são instáveis e os custos elevados, tornando o equilíbrio financeiro difícil de alcançar.

A realidade financeira dos trabalhadores de app é marcada por margens estreitas. Quase quatro em cada dez (38,3%) ganham até R$ 5 mil por mês, mas 74,6% gastam até R$ 3,5 mil para se manter na atividade – com combustível, manutenção, alimentação, seguro e aluguel de veículos. O resultado é um equilíbrio complexo: 44,2% relatam dificuldade para pagar as contas e 43,2% já atrasaram despesas básicas, como luz, água e gás.

O sentimento de insegurança é quase unânime entre os trabalhadores por aplicativo. Segundo a pesquisa, 59,1% já sofreram algum tipo de violência ou assédio durante o trabalho, e apenas 3,4% afirmam se sentir totalmente seguros. A percepção de que o ambiente é hostil vai além das ruas: 58,2% consideram que as plataformas não são transparentes sobre valores, taxas e bloqueios, e 15,5% já tiveram contas suspensas sem explicação.

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O resultado é um quadro de desconfiança generalizada – 77,3% acreditam que as empresas não se preocupam com o bem-estar dos trabalhadores.

Quando questionados sobre o que tornaria o trabalho mais digno e sustentável, a mensagem foi clara: 96,4% pedem aumento nos ganhos por corrida ou entrega, e 75,1% defendem redução das taxas cobradas pelas plataformas. Outros pedidos frequentes incluem mais segurança no trabalho (58,8%), melhor atendimento e suporte (54%) e transparência nas relações (57,2%).

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