Três perguntas: a abertura de capital da Coinbase na Nasdaq

Por Jorge Priori.

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Eduardo Guerra (foto divulgação)
Eduardo Guerra (foto divulgação)

A Coinbase, maior exchange (corretora) de criptomoedas do mundo, iniciou a negociação de suas ações (COIN) na Nasdaq. Suas ações, precificadas a US$ 250, abriram a US$ 381, atingiram a máxima de US$ 429,54 e recuaram até atingir a mínima de US$ 310. No fechamento dessa matéria, as ações eram negociadas acima dos US$ 330. Logicamente, será necessário mais tempo para avaliar o comportamento de suas ações com consistência. A Coinbase foi fundada em 2012 em São Francisco, Califórnia, negociou US$ 335 bilhões no último trimestre e possui US$ 223 bilhões de ativos na sua plataforma. Seus números são impressionantes.

Para entendermos melhor esse processo, conversamos com o advogado Eduardo Guerra, sócio do escritório GuerraBatista Associados, especialista em direito de criptoativos, sobre a importância da abertura de capital da Coinbase, se já existem outras exchanges com ações negociadas nas bolsas americanas, e se ele acredita que nos próximos anos nós veremos empresas brasileiras de criptoativos abrindo capital na B3.

 

Qual a importância da abertura de capital da Coinbase?

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A abertura de capital da Coinbase significa uma total ruptura com os padrões atuais de IPO de empresas tradicionais e de tecnologia, e pode pavimentar um longo caminho para as revolucionárias criptomoedas, que até o presente momento ainda não gozavam de tanta credibilidade e de quase nenhuma regulação por parte das autoridades monetárias mundiais e locais.

Vale dizer ainda que a comercialização de criptoativo (criptomoedas, etokens, smart contract), tanto para as pessoas físicas quanto para as empresas, que fundamenta todo o seu negócio, ainda é considerado uma disrupção total com o tradicional sistema financeiro existente, garantido aos seus adquirentes, além de opções rentáveis de investimento, um seguro meio de pagamento alternativo aos atuais padrões monetários.

Uma empresa com valor aproximado de US$ 140 bilhões, como a Coinbase, insere no mercado uma nova “corrida ao ouro” das demais empresas que atuam neste mercado de criptoativos, isto porque o IPO é uma excelente alternativa de captação de recursos para investimento em seu desenvolvimento e crescimento.

Devemos levar em conta que a Coinbase chamou atenção para um tema que há tempos vem circulando nas mídias sociais especializadas: trata-se da utilização de criptoativos, que representam novas modalidades monetárias e de transações financeiras absolutamente desregulamentadas (sem controle de uma autoridade monetária), através de sistemas informáticos que, além de oferecerem segurança e inviolabilidade da informação (blockchain), também integram a comunidade digital de forma livre e democrática para participarem do sistema de validação e de criação de valor para a nova cadeia financeira criada (Nodes).

Com certeza, por ser pioneira do setor para este tipo de transação, temos que, com o sucesso de seu lançamento da Nasdaq, teremos aberto um amplo caminho para as demais empresas de criptoativos.

Esta etapa conquistada pela Coinbase representa “um pequeno passo para a sociedade, mas um grande salto para toda a humanidade” parafraseando o astronauta Neil Armstrong ao chegar a Lua. A criptoeconomia oferece uma oportunidade inguiável para a humanidade adotar novos padrões e sistemas monetários que permitam maior inclusão social, baixo custo operacional, de forma absolutamente descentralizada, quer seja do controle autoritário de governos absolutistas, quer seja de um arrocho regulatório imposto por governos que sob a bandeira de oferecer maior segurança jurídica a seus cidadãos, privam uma sociedade inteira de sua liberdade de agir, pensar e administrar seus ativos, submetendo-os um controle excessivo, repressivo, por que não dizer retrógrado e até mesmo contraproducente a melhor distribuição de riquezas no mundo e a sua livre gestão pelo indivíduo.

 

Já existem outras exchanges nas bolsas americanas?

Não, atualmente a Coinbase é a primeira. Na verdade, existem poucas empresas confiáveis que atuam na função de exchange do setor, oferecendo credibilidade no atendimento a seus clientes desde a aquisição de criptoativos, quanto custódia de carteiras digitais (wallets), operações financeiras descentralizadas (DeFI), locação de criptoativos (leasing), além dos demais serviços financeiros oferecidos por uma Fintech. Hoje a Coinbase atende aproximadamente a 56 milhões de usuários verificados, 7 mil instituições e 115 mil parceiros de ecossistemas em mais de 100 países, atingindo um resultado de US$ 1,1 bilhão em lucro líquido em 2020.

 

Você acredita que pode haver empresas brasileiras de criptoativos abrindo capital na B3 nos próximos anos?

Sem dúvida alguma. Atualmente, no Brasil, não contamos com mais de 2 dezenas de exchanges que disputam este mercado disruptivo entre os primeiros operadores e investidores do mercado de criptoativos. Já existem anúncios de que uma delas, a Mercado Bitcoin, esteja aguardando a análise do impacto do IPO da Coinbase na Nasdaq, para testar o mesmo modelo no Brasil através da abertura de capital junto à B3. Cogita-se até mesmo que já tenha contratado seus assessores financeiros para esta operação, que não tem nada de simples, dada a sofisticação e alta regulamentação do procedimento pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Criada em 2013, a Mercado Bitcoin é mais uma exchange com grande experiência no mercado, sendo a primeira empresa a realizar transações de bitcoin na América Latina e a oferecer ATMs de bitcoin no Brasil. As criptomoedas negociadas são BTC, ETH, XRP, LTC, Link, CHZ, PAXG, WIBX, USDC e BCH.

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