Três perguntas: a gestão das informações de ESG e sustentabilidade

Por Jorge Priori.

Conversamos com João Souza, diretor global de atendimento da APlanet, sobre o software de gerenciamento de dados ambientais, sociais e de governança desenvolvido pela empresa espanhola.

 

O que faz a APlanet?

A nossa missão é apoiar as empresas na gestão dos indicadores não financeiros, fornecendo recursos e ferramentas que ajudem as empresas na estruturação de processos de gestão de informação ESG e sustentabilidade. Nós desenvolvemos uma ferramenta que é utilizada por empresas de diferentes indústrias e tamanhos, sobretudo médias e grandes, espalhadas por países como Espanha, Portugal, Itália, Reino Unido, Estados Unidos, México e Brasil.

Nós acreditamos que da mesma forma que os reportes financeiros evoluíram bastante ao longo do século 20, a gestão de reportes não financeiros é uma das principais agendas corporativas do século 21.

Essa agenda está clara e a nossa missão é apoiar essas empresas na estruturação desses indicadores. Por exemplo, quais indicadores são pertinentes a cada indústria, a periodicidade de coleta desses indicadores, as áreas responsáveis e como serão coletados os dados, se no chão da fábrica ou num nível mais macro.

Muitas empresas já trabalhavam com temas relacionados ao que ficou conhecido como ESG, mas isso tem que ser visto como uma jornada. A empresa tem que se perguntar em qual posição ela quer estar nessa jornada. Se a empresa já está no meio do caminho, certamente ela já tem uma política anticorrupção, um canal de denúncia ou algum tipo de política interna ou comitê de diversidade. Mas se a empresa quiser subir a barra, a primeira coisa que ela tem que saber são as informações de onde ela está.

 

Como surgem esses padrões e indicadores?

No mundo, existem diversos padrões desse tipo de informação criados por instituições internacionais. Desde a Eco92, quando foi criado o padrão mais popular, o Global Report Initiative, nós tivemos uma proliferação de padrões. Por exemplo, o Fórum Econômico Mundial lançou há dois anos um conjunto próprio de indicadores. A Bolsa dos Estados Unidos tem um indicador próprio de contabilidade sustentável. A B3 tem o ISE, um dos padrões mais antigos.

O problema é que as empresas passaram a reportar diversos padrões ao longo do ano, o que não é sustentável. Pior, informações parecidas que começaram a ficar repetitivas. É por isso que agora está havendo uma convergência para se definir um novo padrão que evite que as empresas tenham que reportar o mesmo indicador várias vezes. Essas mudanças não são rápidas, mas a criação da Value Reporting Foundation foi um movimento importante nesse sentido.

O fato é que o mercado está pedindo, com muita força, uma consolidação desses indicadores. Essa mensagem está dada e já não é de hoje. As empresas não estão aguentando reportar o mesmo indicador várias vezes. Por exemplo, agora os bancos estão começando a cobrar indicadores das empresas. Nós estamos vendo isso nos nossos clientes. Chega um formulário de um banco perguntando uma série de coisas. Metade delas já está na plataforma, mas o problema é a outra metade que não está. As empresas se deparam com demandas de vários lados que não estão unificadas.

 

As empresas colocam a plataforma para funcionar de forma centralizada ou descentralizada?

Vou dar um passo para trás para darmos dois para frente. Diferentes empresas têm diferentes níveis de maturidade. Nós vemos muito a “euquipe”. Muitas empresas colocam um coordenador que não tem time para cuidar da plataforma. Com isso, além de fornecermos a ferramenta, nós entramos com a operação assistida, que é um analista nosso que ajuda a correr a ferramenta na empresa.

Junto com o cliente, nós definimos com quantos indicadores ele vai começar para que se parta de algum lugar, e aos poucos se vai inserindo novas camadas. Isso varia de empresa para empresa.

Geralmente, a ferramenta tem um ambiente de gestão central, que está sob a responsabilidade da pessoa de sustentabilidade, com as informações sendo capturadas de três maneiras. A primeira é praticamente um survey monkey. A pessoa recebe um e-mail com os indicadores que ela precisa coletar e envia os dados para a ferramenta. Essa é a maneira mais comum; a segunda é através de planilhas Excel; e a terceira, através da integração de sistemas.

A principal customização está nos indicadores. Nós tivemos um cliente que começou com 10 indicadores e hoje já responde a mais de 100. Isso em dois anos de trabalho. Como disse, aos poucos se vai inserindo essas camadas, mas nós também temos clientes que estavam maduros para responderem a muitos indicadores, pois já possuíam as informações.

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