Três perguntas: a reunião do Copom desta semana e a Selic

Por Jorge Priori.

Semana de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Nas últimas quatro reuniões, quatro aumentos da Selic, que saiu de 2% em março para 5,25% em agosto. Na última ata, o Banco Central anteviu uma alta de 1 ponto percentual para esta reunião, o que faria a Selic passar para 6,25% ao ano. Cabe lembrar que, para agosto, a previsão do próprio Banco Central era de um aumento de 0,75 ponto percentual, mas dado o atual cenário econômico, o banco teve que ir além e aumentar a Selic em 1 ponto percentual.

O IPCA de agosto, divulgado em setembro, foi de 0,87%, a maior variação para um mês de agosto desde 2000 (1,31%). No ano, a inflação acumula alta de 5,67%, e nos últimos 12 meses, alta de 9,68%. Segundo o último Boletim Focus, o mercado espera para 2021 uma Taxa Selic de 8,25% e um IPCA de 8,35%. Para 2022, a expectativa é de 8,50 e 4,10%, respectivamente.

Conversamos com Luis Otavio Leal, economista-chefe do Banco Alfa, sobre as perspectivas do banco para esta reunião, a piora das expectativas para 2021 e 2022, e o que esperar da Selic e da inflação até o final de 2021.

 

Na ata de sua última reunião, o Copom anteviu um aumento da Taxa Selic de 1 ponto percentual para esta reunião. Qual a expectativa do Banco Alfa?

A nossa expectativa já era de um aumento de 1 p.p. (de 5,25% para 6,25%) antes da fala de 3ª feira de Roberto Campos. Portanto, a indicação do presidente do BC apenas reforçou a nossa expectativa inicial.

 

As expectativas de inflação e da Taxa Selic para 2021 e 2022 estão sendo constantemente revisadas para cima nas últimas semanas. O que tem levado a essa piora e o que deveria ser feito para reverter este quadro?

Bem, apesar de não termos alterado a Selic esperada para a reunião de setembro, acabamos mudando o nível esperado tanto para o final de 2021 (de 7,5% para 8%), quanto para 2022 (de 7,75% para 8,75%). Considerando os motivos que nos levaram a mudar as nossas projeções, podemos dizer que as últimas surpresas inflacionárias, principalmente o IPCA de agosto, puxaram para cima as projeções para inflação neste ano, o que, via inércia, acaba pressionando as expectativas de inflação para 2022, tornando a tarefa de desinflação por parte do BC mais difícil.

Tanto que, apesar de termos elevado a projeção do IPCA de 2021 de 8% para 8,20%, mantivemos a projeção para 2022 em 4,1%, exatamente porque esperamos que o BC acabe elevando mais os juros do que no nosso cenário anterior, caso contrário teríamos que subir as projeções de 2022 também.

Outro fator que torna difícil a redução da projeção da inflação em 2022 é a questão fiscal. Quanto pior for o cenário fiscal ou mais apertada é a política monetária, ou teremos mais inflação ou uma mistura das duas. Por enquanto, o mercado parece estar precificando a última opção.

 

Nós ainda teremos outras duas reuniões do Copom em 2021 (outubro e dezembro). Qual a expectativa do Banco Alfa para a inflação e a Selic no último trimestre de 2021?

Para a reunião de outubro a expectativa é de uma nova alta de 1 p.p., o que levaria a Selic para 7,25%. Já para dezembro projetamos uma desaceleração do ritmo para 0,75 p.p., com a Selic fechando 2021 em 8%. Já para inflação, projetamos um IPCA acumulado no 4º trimestre em 1,40%.

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