Três perguntas: a reunião do Copom desta semana e a Selic

Por Jorge Priori.

Semana de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A discussão sobre o Auxílio Brasil e o Teto de Gastos se refletiu no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda. As expectativas de inflação, Selic, PIB e câmbio pioraram para 2021, passando para 8,96%, 8,75%, 4,97% e 5,45, respectivamente. O mesmo ocorreu para 2022: 4,40%, 9,50%, 1,40% e 5,45.

Na ata da reunião de setembro, o Copom anteviu um ajuste de 1 ponto percentual para esta reunião, enfatizando “que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”. A pergunta é: o aumento poderá ser superior ao previsto?

Conversamos com Eduardo Perez, analista de investimentos do Nu invest, sobre as expectativas para esta reunião, se o risco fiscal está sob controle e se o otimismo do Copom, refletido na última ata, se justifica.

Na ata de sua última reunião, o Copom anteviu um aumento da Taxa Selic de 1 ponto percentual para esta reunião. Qual a expectativa da Nu Invest para esta reunião?

Com a deterioração do cenário de controle orçamentário na semana passada, agora vemos um aumento partindo de 1,25 ponto percentual até 1,50 ponto percentual como cenários cabíveis.

Os aumentos da Selic têm impacto direto na dívida pública. Como vocês estão avaliando o risco fiscal até o final de 2022? A situação está sob controle?

O risco fiscal está contaminando o mercado acionário, de câmbio e de juros desde junho ainda sob a forma de receios. No final de outubro, isso vem se tornando mais palpável para o mercado, que ao reagir com a compra de dólar como forma de proteção em tempos de descontrole da inflação, pode resultar no encarecimento de commodities e inflação final ao consumidor. Isso coloca em dúvida se o índice de inflação vai convergir para a meta do BC em 2022 ou se vai acontecer algo parecido com a inflação superando a meta do BC em 2021 .

Na última ata, o Copom “manteve a visão de uma retomada robusta da atividade no segundo semestre, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente”. Contudo, nas últimas semanas as expectativas do mercado pioraram bastante e acabaram sendo confirmadas pelas taxas mensais de inflação divulgadas e pelos aumentos da Selic que passaram de 0,75 ponto percentual para 1 ponto percentual. O otimismo do Copom quanto a retomada econômica se justifica?

Na nossa visão, não. O Copom deixou claro na última ata que o aumento de 1 ponto percentual na Selic era adequado quando o risco fiscal era significativamente menor. Depois da declaração do ministro Paulo Guedes de que é responsabilidade do Banco Central controlar a inflação, após a discussão do aumento de programas de transferência de renda em forma de benefício, o mercado parece ter entendido que o Banco Central deve apertar ainda mais o ritmo de alta. O Copom deve ponderar que a elevação mais robusta da Selic vai sacrificar o crescimento econômico de um lado, mas deve controlar a inflação em algum momento de 2022 para o nível mais próximo possível da meta de 3,5%.

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