Três perguntas: a Vixtra e o financiamento de importações

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Leonardo Baltieri (foto divulgação Vixtra)
Leonardo Baltieri (foto divulgação Vixtra)

Conversamos sobre a Vixtra com Leonardo Baltieri, um dos seus cofundadores e co-CEO. A startup desenvolveu um modelo de negócio baseado no financiamento de importações.

 

O que faz a Vixtra?

A Vixtra é uma solução de financiamento e pagamento para importadores, sendo que nós também ajudamos na resolução de outras de suas dores relacionadas ao comércio internacional.

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A vida de um importador é muito dura. Para se fazer uma compra internacional, é preciso ter muito capital, pois uma vez feito o pagamento, se demora para receber o produto. Além disso, existem todas as dores para se executar esse tipo de transação. Quando um importador faz uma compra, ele não aperta apenas um botão, como num grande marketplace, e o produto chega para ele. Numa compra internacional, o importador precisa fazer a transação acontecer. É preciso organizar a parte logística, contábil e legal; gerenciar os processos de importação; ter crédito; fazer o pagamento em moeda estrangeira; contratar o seguro e o hedge para a variação cambial.

Hoje, esse importador resolve essas dores de maneira descentralizada. Por exemplo, ele pega o crédito, fecha o câmbio e contrata o seguro em lugares distintos. Na Vixtra, além das soluções de financiamento e câmbio, nós oferecemos um centro de controle com conexão para parceiros homologados, como agentes de carga e despachantes.

Para que tenhamos uma ideia do tamanho desse mercado, o volume de dinheiro movimentado por importações no Brasil, R$ 1,2 trilhão, tem quase o mesmo tamanho do mercado de cartão de crédito, R$ 1,6 trilhão. Contudo, se o mercado de cartão de crédito já tem alguns unicórnios, o mercado de importação ainda nem tem startups. Esse é um mercado que ainda não passou por uma disrupção como os mercados de cartão de crédito, de empréstimo pessoal e empréstimo imobiliário.

 

Como funcionam as operações feitas pela Vixtra? Qualquer importador pode ter acesso à plataforma para pagar qualquer exportador estrangeiro? O desembaraço aduaneiro entra nessa operação?

Nós não financiamos qualquer operação de comércio internacional. Quando um importador entra na plataforma, nós fazemos uma análise de crédito que leva em consideração a sua saúde financeira, o seu fornecedor e o produto que está sendo importado, já que ele fica como garantia da operação.

Com relação à garantia, nós temos que verificar se o produto que está sendo importado pode ser vendido rapidamente para recuperarmos o dinheiro em caso de inadimplência. Por exemplo, pneus são um ótimo produto, por isso nós temos vários importadores de pneus na plataforma.

Nesse segmento, você tem importadores estruturados, bons fornecedores internacionais, já que não é qualquer fabriquinha que produz pneus, e um produto que, em caso de default, e por ser uma commodity, pode ser vendido rapidamente com 20%, 30% de desconto para que se recupere boa parte do capital que foi financiado. Nós operamos em segmentos onde esses três fatores são melhores.

Isso não significa que não operemos com outros segmentos, como, por exemplo, perecíveis. Se um importador de sorvete der default, o sorvete pode derreter e ser perdido. Então, em que caso nós operaríamos com perecíveis? No caso de o importador ter um crédito muito bom, com o qual você tenha a certeza de que vai recuperar o financiamento, mas isso não é a média.

Naturalmente, nós estamos mais fortes em quatro segmentos: pneus, químicos, eletrônicos e metais. Esses segmentos já representam um terço de todas as importações brasileiras. Neles, nós encontramos as situações em que o nosso modelo se encaixa melhor.

Cabe ressaltar que nem todas as transações são aprovadas, mas nós conseguimos aprovar muito mais que um banco. Hoje, quando um banco financia um importador, ele não pega um contêiner com pneus em garantia. Se um banco tem dificuldade para vender um bem imóvel, como uma casa que foi dada em garantia, imagine bens móveis!

O importador consegue pegar crédito no mercado descontando recebíveis ou dando seu imóvel como garantia. Ele não consegue crédito sem garantia, a não ser que ele pague muito caro por isso. Como a Vixtra aceita o produto como garantia, os importadores acabam tendo muito mais acesso a crédito.

Com relação ao desembaraço aduaneiro, nós ainda não financiamos esse pagamento, que, em muitos casos, pode chegar a 40%, 50% do valor da importação. Nós estamos desenhando uma solução para isso, mas ela ainda não existe.

 

Como a Vixtra administra o risco de inadimplência?

Para administrarmos o risco de inadimplência, existe a combinação de quatro fatores. Primeiro, nós fazemos uma análise de crédito tendo em vista que vamos financiar uma transação. Para isso, nós olhamos, como disse, o importador, o exportador e o produto. Trata-se de uma análise de crédito muito mais profunda e com muito mais variáveis do que uma análise de crédito tradicional.

O segundo fator é pegarmos o produto como garantia. Sem o produto, o importador não consegue gerar receita.

O terceiro fator é que nós financiamos 80% do que o importador está comprando, ou seja, quando o produto chega, ele já pagou 20%. Com isso, ele já está com algum capital comprometido.

O quarto fator é que nós retemos a documentação para nacionalização do produto. Se o importador não pagar à Vixtra, ele não consegue ter acesso ao produto.

A combinação desses fatores gera um produto financeiro com uma inadimplência muito controlada. Até o momento, nós já financiamos dezenas de milhões de reais e não tivemos um único caso de inadimplência. É lógico que a amostragem tem que crescer muito para que, estatisticamente, possamos comprovar que o business tem baixa inadimplência, mas, até o momento, o modelo se mostrou bastante sólido, tanto que nós conseguimos fazer uma rodada de captação recentemente (R$ 16 milhões, pré-Série A), mesmo num cenário de venture capital muito complicado.

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