Três perguntas: ações, setores em destaque positivo, negativo e neutro

Por Jorge Priori.

Aproveitamos o final do primeiro semestre de 2021 para conversarmos com Rodrigo Wainberg, analista de investimentos (CFA) da Suno Research, sobre os setores do mercado de ações que se destacaram de forma positiva, negativa e neutra e suas perspectivas.

 

Quais setores se destacaram positivamente?

Setores ligados ao e-commerce – Acredito que o e-commerce já estava presente na vida de grande parte da população, porém, com a pandemia, houve uma aceleração deste movimento. Estamos cada vez mais nos acostumando a termos como “omnichannel”, “vitrine infinita”, entre outros. Acredito que a questão do e-commerce também seja um caminho sem volta, as pessoas irão consumir muito mais via internet do que o habitual. Existem perspectivas de que o e-commerce possa multiplicar sua penetração por 5 até 2025.

Commodities metálicas – Com a pandemia, tivemos uma desorganização da cadeia produtiva. Esta desorganização mexeu com a relação entre oferta x demanda e puxou os preços das commodities metálicas. Estamos vivenciando elevados preços de minério de ferro, cobre, alumínio, ferro cromo, entre outros. Junto a esta questão de oferta x demanda, também existe o fenômeno da reestocagem, o qual foi visto durante o primeiro trimestre, que também foi um gatilho para puxar os preços. Muitos falam sobre estarmos vivendo um novo super ciclo, e se for assim, a tendência é que este segmento continue ganhando bastante com isso. Por fim, a China tem fechado alguns fornos e diminuindo a oferta de alguns minérios, como é o exemplo do ferro cromo.

Commodities agrícolas – Também surfaram tanto na onda do dólar alto como por uma ótima safra que ocorreu no Brasil.

Setor de saúde – Durante os últimos semestres, vimos um forte movimento de IPO de empresas neste segmento com o objetivo de consolidação neste mercado, criando hubs regionais e verticalizando processos. Diversas aquisições já foram feitas e acredito que deva ser um movimento que tende a continuar.

 

Quais setores se destacaram negativamente?

Setor de educação – Vejo que o setor de educação vai se tornar cada vez mais EAD, diferente do que vinha sendo apresentado como modelo de negócio das empresas ligadas a este setor. As empresas correram para deixar suas estruturas mais enxutas, ajustar o quadro de docentes, campings, salas de aulas, etc. Tudo em prol de um modelo mais eficiente e escalável. As empresas têm crescido para o mundo digital com força. É o mercado do momento. Vimos a Ser Educacional (SEER3) fazer movimentos de consolidação no segmento digital fazendo aquisições, assim como a Yduqs (YDUQ3). Acredito que seja um segmento que está mudando e os players estão entendendo esse novo mercado. Uma desvantagem do mundo digital é o menor ticket médio e a maior evasão apresentada, o que impactou negativamente parte das companhias e fragilizou o setor.

Shoppings – Tem se recuperado bem, mas foram momentos difíceis. Acredito que com a volta dos fluxos podemos ver uma forte retomada, muito devido a uma grande demanda retraída.

Lazer/Turismo – O segmento de turismo caminha a passos lentos e à medida que a vacinação prossiga deverá voltar ao seu ritmo normal. Isso vale também para o segmento de lazer. Empresários ligados ao setor afirmam que poderemos ter 4 anos em 2.

 

Quais setores ficaram neutros?

Utilities – Acredito que grande parte das empresas de Utilities se saíram neutras da pandemia, porém, algumas estão sendo impactadas pela crise hídrica. Outro impacto que teve sobre algumas das empresas ligadas a setores de transmissão foi o elevado IGP-M do período, o que influenciou em fortes reajustes.

Óleo e gás – O setor de Óleo e gás sofreu um pouco com a pandemia, tendo em vista aquela queda no preço do Brent ocorrida em maio/2020, porém, já apresentou uma recuperação e está próxima de estar neutra. Um ponto positivo do setor é o movimento de desinvestimento da Petrobras (PETR3) de alguns campos, o que pode impulsionar o setor nos próximos períodos.

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