Três perguntas: as ações e ETFs americanos comprados por brasileiros

Por Jorge Priori.

A Stake é uma startup australiana fundada em 2017 que permite a compra de ações e ETFs (Exchanged Traded Fund, Fundos de Índices) americanos através da sua plataforma. Ela chegou ao Brasil em outubro de 2020 depois de estabelecer a sua operação na Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido.

Como a empresa tem o costume de divulgar os rankings mensais de ações e ETFs comprados por brasileiros através da sua plataforma, o Monitor Mercantil convidou a Stake para elaborar os rankings do primeiro semestre de 2021.

Com base nessas informações, conversamos com Rodrigo Lima, analista de Investimentos e editor de Conteúdo da Stake, sobre as ações e ETFs que se destacaram e o comportamento dos investidores brasileiros.

 

Quais foram as principais ações americanas compradas por brasileiros no primeiro semestre de 2021?

Ranking das ações mais negociadas no primeiro semestre por brasileiros:

1ª GameStop (GME)

2ª Tesla (TSLA)

3ª AMC (AMC)

4ª Apple (AAPL)

5ª Amazon (AMZN)

6ª Disney (DIS)

7ª Virgin Galactic (SPCE)

8ª Microsoft (MSFT)

9ª Coinbase (COIN)

10ª Riot Blockchain (RIOT)

Chama a atenção como o investidor busca empresas de tecnologia, setor sub-representado e sem nomes de peso na bolsa brasileira. Das dez ações mais negociadas, sete são de tecnologia. No entanto, é possível notar que há dois perfis distintos: o investidor que quer investir em tech, mas em grandes empresas como Microsoft, Apple e Amazon; e o investidor que busca empresas ainda mais disruptivas, como a companhia de viagens espaciais Virgin Galactic e as empresas do setor de blockchain e criptomoedas, como a Coinbase e a Riot. Também é interessante notar que o fenômeno das “meme stocks” (como ficaram conhecidas as empresas impulsionadas por usuários do Reddit) também chegou no Brasil, com duas empresas no pódio (GME e AMC).

 

Quais foram os principais ETFs americanos comprados por brasileiros (primeiro semestre de 2021)?

Ranking dos ETFs mais negociados no primeiro semestre por brasileiros:

1ª ProShares Ultra VIX Short-Term Futures, ticker UVXY

Investe em futuros do VIX, índice de volatilidade das opções da bolsa de Chicago, com alavancagem de 1,5x

2ª Bank of Montreal MicroSectors FANG+ Index 3X Leveraged, ticker FNGU

Investe em grandes empresas de tecnologia como Facebook, Amazon, Apple, Netflix, Google com alavancagem de 3x

3ª ETFMG Alternative Harvest, ticker MJ

Investe em diversas empresas do setor de Cannabis

4ª Gold Trust iShares, ticker IAU

Investe na aquisição de ouro físico

5ª Global X Uranium, ticker URA

Investe em companhias relacionadas à mineração de urânio e à produção de componentes para energia nuclear

6ª Invesco QQQ Trust Series 1, ticker QQQ

Replica o índice Nasdaq 100, com grande peso para empresas de tecnologia

7ª S&P 500 Vanguard, ticker VOO

Replica o índice S&P 500, principal índice de ações americanas

8ª Global X NASDAQ 100 Covered Call, ticker QYLD

Replica o índice Nasdaq 100 mas também realiza o lançamento de opções cobertas para gerar remuneração extra ao cotista

9ª REIT Vanguard, ticker VNQ

Investe em diversas companhias que gerenciam REITs (fundos imobiliários no mercado americano)

10ª Global X SuperDividend REIT ETF, ticker SRET

Investe em 30 companhias administradoras de REITs globais, focando em boas pagadoras de dividendos

Nos ETFs mais negociados por brasileiros no primeiro semestre chama a atenção a ausência de um padrão. Três estão expostos ao setor de tecnologia (QQQ, QYLD e FNGU), mas o setor não é tão dominante quanto nas ações. Além deles, destacam-se os setores de REITs (Real State Investment Trust), espécie de fundos imobiliários negociados nos EUA e setores alternativos, como o de cannabis e urânio.

Em meio ao medo de inflação nos Estados Unidos, que poderia trazer volatilidade às bolsas, o investidor também buscou se proteger apostando na alta do VIX, o índice do medo; pelo ETF UVXY e investindo em ouro comprando IAU.

 

Como vocês veem os movimentos dos investidores brasileiros que utilizam a plataforma? É possível fazer um parâmetro do comportamento dos investidores brasileiros com os investidores da Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido?

De maneira geral, o investidor brasileiro busca a Stake para ganhar exposição a setores ou a ativos que não estão disponíveis na bolsa brasileira, se aproveitando das oportunidades de diversificação que apenas a bolsa americana oferece.

Em relação aos investidores de outros países, os brasileiros mostram uma concentração ligeiramente maior no setor de tecnologia, mas o grande diferencial está no investimento em REITs, não tão presentes nos portfólios dos estrangeiros. Nós brasileiros temos a cultura de investir em imóveis, e parece que pouco a pouco a população tem descoberto que com este tipo de investimento é possível ter renda passiva e lucrar com a valorização do mercado imobiliário, com a vantagem da liquidez diária e de não ter de gerenciar os inquilinos.

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