Três perguntas: as transferências bancárias via WhatsApp

Por Jorge Priori.

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Bruno Segatto (foto divulgação Xsfera)
Bruno Segatto (foto divulgação Xsfera)

O Banco Central concedeu as autorizações necessárias para implementação do programa de pagamentos vinculado ao WhatsApp. A autarquia federal acredita que esse novo horizonte poderá abrir perspectivas de redução de custos de serviços de pagamentos, enquanto o WhatsApp está empenhado nos preparativos finais para disponibilização da funcionalidade.

Para entendermos melhor esse processo, conversamos com Bruno Segatto, co-fundador da Xsfera, sobre o que poderá ser feito através do WhatsApp; o envolvimento da Visa e Mastercard no processo; a incorporação da funcionalidade ao Messenger e Instagram, e a segurança desse processo já que contas de WhatsApp são passíveis de clonagem.

 

O que poderá ser feito através do WhatsApp? A conta do aplicativo deverá estar vinculada a um banco?

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Poderão ser realizadas transferências entre contas transacionais, mas não compras em estabelecimentos (ainda). Com o tempo deverão ser acrescidas novas funcionalidades. Acreditamos que as transferências pelo WhatsApp deverão estar disponíveis em pouco tempo, uma vez que a plataforma já estava pronta desde a primeira negativa do BC, no ano passado.

Para que o WhatsApp possa ser utilizado para realização de transferências, a conta do aplicativo deverá estar vinculada a um banco ou fintech, que já ofereça uma conta transacional ao usuário. Mas também deverão ser cadastrados os cartões que movimentam tais contas para que a transação seja efetivada. Logicamente, a atuação de um iniciador de pagamento pressupõe que o usuário permita ao WhatsApp pilotar a transação de pagamento que ocorrerá em sua conta transacional.

 

Por que a Visa e a Mastercard estão envolvidas nesse processo? Como o WhatsApp faz parte do Programa Facebook Pay, existe previsão para envolvimento do Messenger e Instagram?

Os arranjos da Visa e Mastercard, aprovados na mesma data que o WhatsApp, são quem, de fato, possibilitarão que a movimentação ocorra de forma equivalente a uma transação de pagamento por cartão de débito, crédito ou pré-pago (pelo menos neste primeiro momento). Futuramente, é muito provável que a aplicação também esteja conectada ao Pix, que por conceito não necessitará das bandeiras para efetivação da transação.

O Banco Central foi muito claro com relação à autorização restrita ao WhatsApp como iniciador de transação de pagamento. O Facebook Pay e os arranjos de compra ainda estão em análise, portanto, não há previsão de envolvimento do Messenger e Instagram.

 

Contas de WhatsApp são passíveis de clonagem. Será seguro fazer esse tipo de transação pelo WhatsApp?

Esse é um dos grandes desafios que tal modelo vai exigir dos iniciadores de pagamentos. Será necessário dispor de mecanismos robustos de segurança no próprio WhatsApp, além daqueles existentes nas camadas de segurança das bandeiras e dos bancos ou fintechs, detentores das contas transacionais. Óbvio que o mercado inteiro está caminhando no sentido de deixar a experiência do cliente sempre o mais “clean” possível, com a menor quantidade de fricção possível, mas ao mesmo tempo vai precisar existir um olhar bastante intenso no sentido de proporcionar a segurança adequada para os seus usuários. Sem isso, muito possivelmente não vai ter o sucesso que poderia, mas, certamente, os participantes de todo esse ecossistema estão olhando para isso. Complementando, entendemos que este aspecto de segurança é viável, principalmente se fizermos uma analogia com o WeChat, que já funciona muito bem na China.

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