Três perguntas: Commodities – superciclo, Evergrande e impactos

Por Jorge Priori.

Conversamos com João Daronco, analista (CNPI) da Suno Research, sobre se estamos vivendo ou não um superciclo das commodities, como as commodities brasileiras seriam afetadas num cenário extremo de quebra da chinesa Evergrande e quais companhias de capital aberto seriam mais afetadas caso ocorra uma piora do mercado de commodities. Com relação a Evergrande, o Banco Popular da China, banco central chinês, disse nesta sexta que “o efeito de contágio dos problemas de dívida do Evergrande Group no sistema bancário chinês é controlável”.

O que é especificamente um superciclo de commodities? Na sua opinião, estamos vivendo um superciclo?

Muito se tem falado sobre um possível superciclo de commodities e, basicamente, a nomenclatura “superciclo” está relacionada com a amplitude do ciclo, e não com a magnitude, ou seja, está relacionado a um ciclo super longo e não super intenso.

O superciclo mais recente que vivenciamos foi durante o início dos anos 2000, quando a China ultrapassou a barreira dos US$ 2.000 per capita e aumentou abruptamente a demanda por parte das commodities.

Sobre a segunda parte da questão, sobre se estamos vivenciando um superciclo, para que tenhamos um superciclo, é necessária uma questão estrutural, como foi o exemplo do crescimento da China em 2000. Atualmente, eu vejo questões relacionadas com políticas fiscais e monetárias expansionistas, porém, não evidencio nada estrutural. Por conta disso, dado o momento atual, não vejo um superciclo pela frente.

Como você viu o problema da chinesa Evergrande? Num cenário extremo de quebra da empresa, esse problema afetaria as commodities brasileiras?

É uma questão relevante e bastante preocupante. A Evergrande é uma das maiores empresas imobiliárias chinesas e a China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Qualquer impacto na economia Chinesa acaba tendo impactos no Brasil. Em uma eventual quebra da companhia, vejo que existem consequências em um primeiro momento no minério de ferro, que é utilizado na fabricação do aço, que por sua vez é utilizado predominantemente na construção civil.

A dinâmica do minério de ferro é bastante simples. A Austrália e o Brasil exportam para a China. Caso exista uma queda na demanda poderíamos ver um impacto nos preços.

Caso haja uma piora no mercado de commodities, na sua opinião, quais empresas brasileiras de capital aberto seriam mais afetadas?

Existem algumas empresas que seriam impactadas negativamente e as principais estão correlacionadas com o minério de ferro. Vejo as principais impactadas sendo a Vale (VALE3) e a CSN Mineração (CMIN3), tendo em vista que sua principal linha de receitas está relacionada com a venda de minério de ferro.

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