Três perguntas: como se saiu o Brasil na Cúpula do Clima?

Por Jorge Priori.

Com o término da Cúpula do Clima promovida pelos Estados Unidos, na figura do seu presidente Joe Biden, conversamos com Hugo Garbe, economista, professor do Mackenzie e especialista em finanças empresariais, sobre sua avaliação do encontro, como o Brasil se saiu e os possíveis impactos ambientais e econômicos do encontro.

 

Como você avalia a Cúpula do Clima?

A Cúpula marcou a volta dos Estados Unidos ao cenário global em termos de políticas ambientais. Houve uma clara percepção da retomada de liderança por parte dos Estados Unidos, já que o ex-presidente Donald Trump não tinha uma agenda objetiva para temas ambientais. O presidente Joe Biden se comprometeu a reduzir a emissão de gases do efeito estufa em até 50% em 10 anos. Essa é uma meta agressiva. Esse encontro foi marcado por compromissos ambiciosos, não só do Brasil, mas também do governo americano.

 

Na sua opinião, como se saiu o Brasil?

O presidente Bolsonaro assumiu um compromisso ambicioso, segundo o próprio embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman. Ele salientou que tem como objetivo a duplicação dos recursos destinados às fiscalizações ambientais. O mercado, de uma forma geral, aprovou a mudança de retórica do presidente na Cúpula do Clima. A bolsa de valores reagiu bem. O governo americano, que foi o anfitrião do encontro, também gostou do que viu. Agora, a dúvida do mercado é se a narrativa vai ficar apenas na retórica ou se ela vai ser concretizada de forma efetivada. A falta de medidas concretas é a principal crítica ao governo brasileiro no que tange a metas ambientais, mas o mercado global, principalmente dos Estados Unidos, gostou do que ouviu no encontro.

Complementando, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deixou claro que existe uma limitação de recursos no Brasil, principalmente num momento de pandemia, onde os recursos são escassos. Ele deixou claro que o Brasil precisa de pelo menos US$ 1 bilhão por ano para cumprir o plano que foi apresentado. Salles estima que com isso é possível diminuir em 40% o desmatamento no Brasil. Ele jogou parte da responsabilidade para a comunidade internacional, deixando claro que não adianta apenas criticar. É necessário mandar capital. De uma forma geral, o Brasil se saiu bem e as apresentações do presidente e do ministro tiveram um impacto positivo.

 

Considerando o fim da Cúpula, quais deverão ser os impactos ambientais e econômicos do encontro?

Tudo depende se a narrativa dos governos e os compromissos firmados no encontro vão ser implementados. Para se implementar uma política ambiental em termos econômicos, é necessário muito dinheiro. A dúvida é se os governos, que possuem outras prioridades econômicas, vão desembolsar os recursos necessários para combater o desmatamento e os desastres ambientais e cumprir com o que foi acordado na Cúpula.

Leia também:

Cúpula do Clima: Com Trump reeleito as metas seriam as mesmas?

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