Três perguntas: criptomoedas, parte 4 – as stablecoins

Uma das principais características das criptomoedas é a volatilidade. Os movimentos de valorização e desvalorização podem ser rápidos e agressivos. As stablecoins foram criadas justamente para se ter previsibilidade de comportamento. Moedas digitais como o Tether, lastreada em dólar, ou CryptoBRL, lastreada em reais, não vão oscilar como o bitcoin, ether ou BNB, o que diminui os movimentos especulativos. Em compensação, isso permite que elas tenham outras utilidades.

Para que possamos conhecer um pouco mais sobre as stablecoins, vamos conversar com Ney Pimenta, CEO da Bitpreço, primeiro marketplace de criptomoedas da América Latina, sobre o que são essas moedas digitais, seus mecanismos de valorização e suas utilidades.

 

O que são as stablecoins?

As stablecoins são criptomoedas estáveis. Ao contrário das outras moedas digitais, cujos valores oscilam bastante, elas têm por objetivo proteger seu titular dessas oscilações. As stablecoins são lastreadas em moedas estatais como dólar, euro ou real. Uma das mais usadas é a CryptoBRL, ou cBRL, lastreada em reais. Assim, para cada stablecoin colocada no mercado, existe um valor equivalente guardado num banco ou através de alguma outra forma de lastro. No caso da CryptoBRL, um usuário pode a qualquer momento trocá-la por R$ 1,00 e utilizar os recursos. Isso pode ser feito justamente para que uma pessoa possa usar todo o potencial de uma criptomoeda com a tranquilidade de ter um valor constante e estável de acordo com a moeda de cada país.

O Tether, lançada em 2014, foi a primeira stablecoin. Lastreada em dólar, seu volume de negociações foi crescendo aos poucos. No final de 2019, ela se tornou a criptomoeda mais utilizada do mundo. Em março de 2020, no crash do início da pandemia, ela cresceu exponencialmente, passando de um market cap de US$ 5 bilhões para US$ 20 bilhões. Isso aconteceu porque naquele momento notou-se que era muito interessante ter uma criptomoeda com valor estável. Desde então, o crescimento foi muito acelerado e, atualmente, o Tether possui uma movimentação diária superior ao bitcoin.

 

As stablecoins possuem mecanismos de valorização?

Como é de se esperar numa moeda estável, os mecanismos de valorização são muito pequenos e sutis, pois o valor sempre vai oscilar em torno do seu lastro. Podem ocorrer movimentos de valorização e desvalorização, mas isso é na ordem de décimos de centavos. No caso do Tether, o que gera esses movimentos são momentos em que o mercado está comprando ou vendendo mais essa stablecoin.

 

Quais são as utilidades das stablecoins?

As utilidades são infindáveis, sendo limitadas pela criatividade. A utilidade mais óbvia das stablecoins é a realização de transferências em reais ou dólares para qualquer lugar do mundo sem depender de banco, horário ou quantidade.

As stablecoins servem como par de negociação de criptomoedas em geral. Uma pessoa pode utilizar uma exchange que está fora dos Estados Unidos ou do Brasil, como, por exemplo, na Estônia, e trocar bitcoins por criptomoedas que valem um real ou um dólar, não importando o local onde essa exchange está situada. Elas também são a porta de entrada para negociação de moedas, seja numa exchange que esteja fora do Brasil ou uma exchange descentralizada que funcione numa blockchain como a Ethereum. Elas permitem que se troque dinheiro em espécie por uma determinada stablecoin e com isso se possa negociar outras criptomoedas no mundo virtual.

As stablecoins podem ser utilizadas para proteção. Uma pessoa pode ter muitas criptomoedas em uma determinada exchange e acreditar que o bitcoin vai se desvalorizar, puxando as outras criptomoedas. Para se proteger, essa pessoa troca seus bitcoins por uma stablecoin de dólar. Elas também podem ser utilizadas em serviços de empréstimos. Uma pessoa pode usar uma CryptoBRL, emitida por um sistema descentralizado com uma garantia em bitcoins, e enviá-la para o Alterbank (atualmente se chama Alter) para realização de compras no meu cartão Visa. As stablecoins fazem a ligação do mundo virtual das criptomoedas com o mundo real. Detalhe: esses empréstimos são feitos sem a intermediação humana, já que ele é feito diretamente pela blockchain.

Leia também:

Três perguntas: criptomoedas, parte 3 – o BNB

Três perguntas: criptomoedas, parte 2 – O ether

Artigos Relacionados

Aprovada entrega do IRPF até 31 de julho

Prazo atual é 31 de maio. Texto segue para sanção de Bolsonaro.

BC: Open banking significa oportunidades ilimitadas

Uma característica notável do momento atual é a velocidade das mudanças tecnológicas e o seu impacto no sistema financeiro. A frase é do presidente...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Jornalista agora pode ser MEI

Senado tentou incluir corretor de imóveis, publicitários e produtores culturais no projeto.

STF determina reintegração de excluídos do Bolsa Família

Ministro Marco Aurélio avaliou que Governo Federal estava descumprindo determinação.

Preços dos medicamentos voltam a subir em março

Segundo levantamento, resultado reflete agravamento da pandemia, colapso das unidades de saúde e depreciação cambial.

Planos devem autorizar exame de Covid de forma imediata

Antes da determinação da ANS, os planos podiam demorar até três dias úteis para garantir o atendimento ao pedido.

Cresce demanda árabe por café verde e solúvel do Brasil

No primeiro trimestre deste ano, país exportou 37% mais café à região; além dos grãos verdes, crus, países têm demandado mais produto solúvel.