Três perguntas: em que investir após aumentos da Selic

Por Jorge Priori.

Por unanimidade, o Copom aumentou a Selic em 1 ponto percentual, passando a taxa básica de juros para 6,25% ao ano. O Comitê também informou que “antevê outro ajuste da mesma magnitude” para a próxima reunião, que será realizada nos dias 26 e 27 de outubro. Conversamos sobre o impacto do aumento da Selic nos investimentos com Mauro Rached, head de investimentos do Banco Daycoval.

Segundo Mauro, “o Daycoval espera que a Selic seja elevada ao pico de 9% até o final do primeiro trimestre de 2022. O cenário de risco para essa previsão depende dos preços de commodities e do comportamento do câmbio no ano que vem, especialmente por conta das eleições no Brasil e do fim dos estímulos monetários nos EUA.”

 

Neste momento, o que é mais indicado? Títulos prefixados ou pós-fixados? Quais títulos estão mais interessantes? Caso um investidor opte por investir em títulos de renda fixa, ele deveria montar uma estratégia considerando qual prazo?

Quando se fala em investimentos, a palavra de ordem é sempre diversificação. Uma característica do Banco Daycoval é sempre indicar produtos e alocações que sejam totalmente aderentes ao perfil de risco de nossos clientes. Em nosso último relatório de Estratégia e Alocação para os nossos clientes, publicado no começo de setembro, recomendamos para nossos clientes de perfil conservador uma maior exposição a títulos e fundos indexados ao CDI e estávamos atentos à curva de juros prefixados e de juros reais para voltar a recomendar aplicações oportunamente.

Após a reunião do Copom de quarta-feira, e com o avanço das negociações para uma arrumação do trinômio Precatórios, Reforma do IR e Auxílio Brasil, estamos mais construtivos com as aplicações prefixadas e indexadas ao IPCA, especialmente as de crédito privado e isenção de IR para pessoas físicas, como LCI/LCA, CRA/CRI e Fundos de Debêntures Incentivadas.

Para todos os perfis, trabalhamos com um prazo entre dois e três anos, pois acreditamos que o cenário macroeconômico e político atual ainda pode reservar períodos de volatilidade.

 

Considerando os fundos de renda fixa e renda variável, quais fundos seriam uma boa opção de investimento e quais deveriam ser evitados nesse momento?

O atual cenário político e econômico ainda inspira cuidados e uma certa dose de cautela. Definições sobre a política fiscal devem ser tomadas no curto prazo e servirão para clarear a rota da economia do Brasil no médio prazo. Por enquanto, preferimos fundos de renda fixa com duração média mais curta e com prazo de resgate até 30 dias. Fundos de ações e multimercados atrelados a ativos internacionais, com baixa correlação com os mercados locais, são boas opções nesse momento.

Já para classe de ações, o momento é mais oportuno para fundos de estratégias Equity Hedge e Long & Short, uma vez que não há uma clara tendência de valorização expressiva do mercado acionário no médio prazo (ainda que tenhamos expectativa de uma recuperação técnica das ações nas próximas semanas).

 

Conversamos sobre títulos e fundos de renda fixa e variável. Além dessas aplicações, quais seriam outras opções de investimento, inclusive com exposição externa, que seriam interessantes nesse momento?

Felizmente, o mercado de capitais e serviços financeiros vem ampliando progressivamente a variedade de alternativas de investimento. Já temos uma indústria relativamente desenvolvida de hedge funds, ou seja, os fundos multimercados, cujo guarda-chuva é muito abrangente e abriga inúmeras estratégias, técnicas de gestão, naturezas de ativos, mercados e geografias.

Dentre essa miríade de alternativas, destacamos duas teses de investimento nesse momento (mas que valem para qualquer momento também): fundos de investimento em ativos no exterior e fundos quantitativos. Essas teses permitem a busca de rentabilidades muito interessantes e, ao mesmo tempo, uma correlação muito baixa, ou até negativa, com os ativos brasileiros. Isso permite ampliar a diversificação e otimizar os retornos da carteira de investimentos no longo prazo. A plataforma do Banco Daycoval oferece bons fundos dessas duas estratégias.

Leia também:

Três perguntas: o novo aumento da Selic e os investimentos

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