Três perguntas: Febraban avalia os impactos do Pix e do Open Banking

Por Jorge Priori.

A Agenda BC#, promovida pelo Banco Central, tem cinco pilares: inclusão, competitividade, transparência, educação e sustentabilidade. A competitividade busca a adequada precificação por meio de instrumentos de acesso competitivo aos mercados. Entre esses instrumentos, estão os pagamentos instantâneos (Pix) e a implementação do sistema financeiro aberto (Open Banking), que visa o aumento da eficiência do mercado de crédito e de pagamentos no Brasil. O Pix foi implementado em novembro de 2020 e conseguiu uma rápida aderência da população. Já o Open Banking teve a sua primeira fase concluída em fevereiro de 2021. As próximas três fases serão implementadas em julho, agosto e dezembro deste ano.

Esses mudanças abrem muitas possibilidades. Para entendermos melhor esse processo, conversamos com Carolina Sansão, gerente de Inovação e Tecnologia da Febraban, sobre a forma como o setor bancário sentiu as mudanças, se os impactos foram sentidos da mesma forma por bancos tradicionais e digitais, como eles estão vendo a possibilidade de enfrentar concorrência de fora do setor e se o Open Banking aumenta o risco de vazamento de dados, como noticiado em janeiro de 2021.

 

De uma forma geral, como o setor bancário sentiu as mudanças acarretadas pelo Pix e pelo Open Banking?

O Pix, assim como o Open Banking, são mais duas ferramentas que proporcionarão maior conveniência e facilidades para os clientes em suas transações financeiras, como já ocorreram com outras ferramentas, como mobile banking, tokenização e internet banking. Os bancos estão, e sempre estiveram, em constante processo de preparação para se adequar às inovações tecnológicas e regulatórias. Por isso, estamos na vanguarda tecnológica neste setor no mundo.

O Pix nos levou a era dos pagamentos instantâneos e é o jeito mais moderno e eficiente de fazer transferências instantâneas para onde o cliente quiser. O pagamento instantâneo também dá uma nova lógica para as atividades comerciais, trazendo mais agilidade para quem compra e para quem vende. A economia tende a ganhar mais velocidade e ritmo. O Pix também é uma importante oportunidade para o Brasil reduzir a necessidade do uso de dinheiro em espécie em transações comerciais, o que tende a reduzir os altos custos de transporte e logística de cédulas em um país de dimensões continentais como o nosso. Somente o custo de logística totaliza cerca de R$ 10 bilhões ao ano.

Já o Open Banking tende a intensificar as ofertas de valor para os clientes, com novos produtos e serviços. Também pode gerar maior eficiência para os bancos, que terão maior flexibilidade e velocidade no lançamento de novos produtos e maior conhecimento do perfil de seus clientes. Nos mercados onde o Open Banking já se encontra em uma etapa mais avançada, como no Reino Unido, observamos ganhos de eficiência e produtividade no lançamento de novos produtos e gestão da informação.

 

Os bancos tradicionais e os bancos digitais sentiram os impactos da mesma forma? Como os bancos estão encarando a possibilidade de enfrentar maior concorrência de empresas de outros setores?

Cada participante tem sua política e estratégia de negócios, com o lançamento de novos produtos e serviços. Entre impactos comuns a todos, podemos citar o aumento da concorrência bancária no país e mais ofertas de produtos para o cliente. Além disso, o Pix tem potencial para ser uma poderosa ferramenta para impulsionar a bancarização no país, trazendo novos clientes para o sistema financeiro. E o Open Banking incentiva a inovação e tende a intensificar as ofertas de valor para os clientes, acelerando a transformação digital do mercado financeiro.

A Febraban e os bancos são a favor da competição e, mais do que isso, a estimulam em todos os níveis. Entretanto, é importante que as regras sejam iguais para todos os competidores, sejam bancos já estabelecidos ou novos competidores que estejam entrando. Vamos sempre defender que o mercado seja o mais aberto possível.

 

Nas últimas semanas, o país registrou casos de vazamento de dados de grande volumes, como o caso do Serasa. O início do Open Banking não aumenta ainda mais o risco de vazamento de dados? Como os bancos estão se preparando para evitar esses vazamentos?

A Febraban acompanha permanentemente todos os temas relacionados à segurança cibernética e de dados de seus clientes, ainda que eles não tenham origem no sistema financeiro, como no caso mencionado. Os bancos estão comprometidos com o aprimoramento constante dos sistemas de segurança das instituições, para garantir a eficiência das operações financeiras cotidianas de milhões de brasileiros investindo historicamente mais de R$ 2 bilhões a cada ano em segurança da informação no setor bancário.

Os bancos começaram a se preparar para a chegada do Open Banking em 2018, com a contratação de equipes especializadas e montagem de times internos para domínio do assunto. A Febraban também tem promovido grupos de trabalho técnicos para aprofundar o tema e vem contribuindo com recomendações técnicas e operacionais para trazer maior fluidez e segurança ao funcionamento do sistema. Os bancos estão usando toda sua expertise com a temática segurança em transações financeiras, para sugerir ao nosso regulador, Banco Central, o que há de mais moderno em relação à segurança cibernética e prevenção a fraudes.

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