Três perguntas: inflação de agosto – quadro atual e perspectivas

Por Jorge Priori.

A inflação de agosto, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 0,87%, a maior variação para um mês de agosto desde 2000 (1,31%). Em julho, o IPCA havia ficado em 0,96%. No ano, a inflação acumula alta de 5,67%, e nos últimos 12 meses, alta de 9,68%.

Conversamos com Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, sobre o atual quadro inflacionário, suas perspectivas e sobre a deterioração das expectativas de inflação para 2021 e 2022.

 

Como você avalia o atual quadro inflacionário brasileiro?

A inflação é um dos principais riscos para o cenário econômico hoje. Os choques que se acumularam resultaram em uma inflação acumulada bastante elevada, em 9,7% em 12 meses, o que aumenta o risco de contágio de preços futuros. Não somente de itens como alimentos e combustíveis, que seguiram a alta das commodities no cenário externo, mas também de bens industriais que sobem com a falta de insumos e a elevação dos preços das matérias primas.

Essas são questões globais que afetaram a inflação em diversos países, porém, no Brasil, temos o agravamento da crise hídrica, trazendo alta das tarifas elétricas, e o risco fiscal, que resultou em desvalorização cambial excessiva, aumentando os repasses de preços internamente.

 

Quais são as perspectivas para os próximos meses e quais são os principais drivers?

A perspectiva é que a inflação tenha um pico próximo de 10% em setembro, considerando a nova bandeira tarifária de escassez. Contudo, com a elevação dos juros pelo Banco Central e a desaceleração da atividade, a inflação deve começar a desacelerar nos próximos meses. No entanto, considerando o alto patamar de 10%, a convergência para a meta deve ser mais gradual e em 2022 deve ficar próxima de 4%.

 

Como você tem visto a piora de expectativas de inflação para 2021 e 2022? Na sua opinião, o que tem levado a esta situação?

Para 2021, a piora é reflexo de novos choques, principalmente das tarifas de energia elétrica. Para 2022, no entanto, a elevação das expectativas, mesmo com a alta da Selic, é mais preocupante. Esse cenário deve resultar em um aperto monetário maior pelo Banco Central, que ainda considera 2022 prazo relevante da política monetária. O controle do risco fiscal, ou seja, um orçamento que atenda às atuais regras sem flexibilização ou aumento de gastos também pode contribuir para o cenário de expectativas mais controladas no próximo ano.

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