Três perguntas: Maple Bear – mercado, expansão e complexidades

Por Jorge Priori.

Conversamos sobre a operação da escola canadense bilíngue Maple Bear com seu CEO para América Latina, André Quintela. Com presença em mais de 30 países, a operação brasileira é a maior em todo o mundo.

 

Como está o mercado brasileiro de escolas bilíngues?

Este mercado está em ascensão. Trata-se de um mercado com grande potencial porque apenas 5% da população brasileira fala inglês, o que traz uma oportunidade para se fazer um trabalho na educação infantil. O segundo ponto desse mercado é que ele se tornou superatrativo nos últimos 6 anos. Além das escolas que entregam uma educação bilíngue, outras escolas adaptaram seus currículos e começaram a dizer que entregam esse tipo de educação.

O aumento da competição permite a Maple Bear se posicionar como uma marca e uma metodologia que de fato entrega resultados. A grande diferença de uma escola americana é que você faz uma imersão e ensina com base no currículo americano. Quando se trabalha com a educação básica, colocando um inglês de uma hora por dia, basicamente se está dando um inglês reforçado. Nós não entregamos isso. Nós entregamos uma metodologia canadense baseada em questões do século 21 como gerenciamento de conflitos e questões socioemocionais. Nós construímos a educação das crianças com uma imersão de 100% no inglês. No momento em que vamos alfabetizar a criança, nós fazemos a educação em duas vias, entregando de fato uma criança bilíngue alfabetizada no inglês e no português.

É por isso que a Maple Bear alcança uma retenção anual de 95%, sendo que dos 5% que migram, quase todos foi porque mudaram de cidade. Além disso, 80% das novas matrículas que recebemos todos os anos vem de indicações. A Maple Bear se tornou uma máquina reputacional de entrega de qualidade.

 

Como está o processo de expansão da Maple Bear?

No Brasil, nós estamos conduzindo um processo de expansão iniciado há 4 anos. Hoje nós temos 171 escolas e uma previsão de abertura de 100 novas unidades nos próximos 3 anos em territórios que já foram vendidos e ocupados. Além disso, nós estamos com um foco muito grande na América Latina em países como México, Peru, Colômbia e Argentina.

Quando entramos num país, nós precisamos entregar dois currículos: o currículo do país e o currículo canadense. O currículo canadense está prontinho e não sofre qualquer alteração. Ele pode passar por algumas adaptações. A grande diferença quando se entra num país é pegar o framework da metodologia e fazer a parte do país onde se está entrando. Por exemplo, no caso do Brasil, eu me refiro a Português, História, Geografia etc. Como conseguimos criar isso de forma proprietária, nós conseguimos chegar nos países e fazermos essa metodologia funcionar.

 

É simples montar uma franquia/escola da Maple Bear?

Montar uma escola é algo muito complexo. Quando se pega uma escola de educação básica e se vai até o high school, você tem questões de legislação e documentação que são muito sérias e delicadas. Quando é aberta uma escola da Maple Bear, nós transferimos o know how de marca comercial, marketing e metodologia e ajudamos o operador a de fato conseguir gerenciar a escola, fazendo o processo inteiro com ele.

Para que se tenha uma franquia da Maple Bear a pessoa não tem que ser, necessariamente, um educador. Por exemplo, nós temos franqueados que são administradores e engenheiros. Se um pedagogo traz um administrador como sócio, nós temos o match perfeito. Um operando a administração e o outro o dia a dia da metodologia.

Agora, o processo de escolha do candidato é super-restrito. Nós analisamos questões como perfil, sociedade, se aquela pessoa é da cidade ou não, quem vai ser a pessoa que vai operar, quem é o investidor e a capacidade financeira para os próximos 10 anos para garantir a continuidade da escola. Esse processo é mais complexo para esse tipo de franquia, pois não se pode pensar o investimento apenas para o primeiro ano. No nosso caso, ele tem que ser pensado para 10 anos.

O nosso modelo de negócios permite um faseamento em três momentos. Primeiro se cria a educação infantil, depois se faz o movimento do fundamental e se conclui com o high school. Com isso, não é necessário investir R$ 12 milhões de cara. Você consegue fazer algo que é próximo de R$ 5 milhões e com o tempo ir fazendo os movimentos progressivos.

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