Três perguntas: moedas digitais, criptomoedas e regulamentação

Por Jorge Priori.

O Banco Central (BC) está conduzindo a discussão para implementação do real digital. No final de julho, teve início a série de webinars “O real digital” cujo objetivo é debater as diretrizes gerais de uma moeda digital para o Brasil. Serão sete encontros, sendo que o primeiro, “Potenciais do real em formato digital”, já foi realizado. O último encontro será realizado em novembro com o tema “Tecnologias para emissão e compatibilidade com arranjos existentes”.

A implementação das moedas digitais, também conhecidas como govcoins ou Central Bank Digital Currency (CBDC, moeda digital emitida por banco central), é apenas uma questão de tempo, tanto no Brasil como em outros locais como os Estados Unidos e a União Europeia. Aproveitamos essa discussão para conversarmos com Cássio Rosas, Diretor de Contas Enterprise & Estratégia da Wibx.

 

Como você tem visto o movimento de criação das CBDCs, inclusive do real digital que será emitido pelo Banco Central?

Por aqui, vemos com muito bons olhos. Isso vai acelerar possíveis regulações para o universo cripto, além de trazer uma série de benefícios a todos os atores envolvidos. Especificamente sobre o real digital, as vantagens são inúmeras. Com a tecnologia inserida (blockchain, dentre tantas) teremos mais segurança, mais agilidade, maior controle, mais sustentabilidade e novas possibilidades. Isso para citar algumas das vantagens que beneficiarão todos os atores envolvidos: governo, bancos, corretoras, empresas e pessoas.

 

Na sua opinião, existe a necessidade de regulamentar as criptomoedas?

Regulamentação de forma geral e genérica sempre se faz necessária de alguma forma. Isso rege a sociedade com padrões e regras. Sob esse aspecto, sem dúvida que sim. Digo isso para deixar claro que não é uma necessidade inerente ao funcionamento, ou melhor funcionamento, das criptomoedas. A regulamentação de cara elimina todo e qualquer projeto que não esteja adequado às regras. Depois, isso acaba chancelando os projetos regulados, tornando o tema mais comum e institucional a todos.

 

Na sua opinião, as CBDCs tomarão mercado das criptomoedas ou as duas coexistirão?

Não tomarão de forma alguma. O real digital, ou qualquer outra moeda fiat (fiduciária) no mundo, só terão ganhos exponenciais, pela inserção de tecnologia do início ao fim do processo, ou seja, desde a criação até a utilização. Porém, com todas as vantagens, continuamos aqui falando de dinheiro fiat.

Quando falamos de criptomoedas e utility tokens, temos inúmeras outras funcionalidades além do valor mobiliário. Sem contar o valor de mercado. A coexistência, de forma geral, será como hoje, porém, com a regulamentação em evidência e vigência para todos.

Leia também:

Três perguntas: criptomoedas – escolhas, cuidados e perspectivas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Caixa registra recorde em crédito imobiliário

A Caixa Econômica Federal realizou mais de R$ 140 bilhões contratados ao longo de 2021, maior valor da história do banco, com crescimento de...

Conversa com Investidor: Mills (MILS3)

Por Marco Saravalle, estrategista-chefe da Sara Invest.

Conjuntura pesa, mas mercados reagem

Ontem foi dia de volatilidade nos mercados de risco local, com a Bovespa fazendo algumas trocas de sinal ao longo do pregão.

Últimas Notícias

Caixa registra recorde em crédito imobiliário

A Caixa Econômica Federal realizou mais de R$ 140 bilhões contratados ao longo de 2021, maior valor da história do banco, com crescimento de...

Vendas do Grupo Patrimar crescem 193,7 no 4T21

O Grupo Patrimar - construtora e incorporadora mineira que atua na baixa, média e alta renda em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e...

Vacina errada em mais de 57 mil crianças e adolescentes

Em meio à campanha de vacinação contra a Covid-19, 57,14 mil crianças e adolescentes em todo o país foram imunizados com doses para adultos...

Pandemia aumenta acesso da população a serviços bancários

Os bancos digitais aumentaram o acesso da população brasileira a produtos financeiros, com destaque para a parcela de baixa renda. Atualmente 19% dos brasileiros...

Moby fecha 2021 com crescimento de 26%

Apesar da pandemia, da crise econômica e da redução na fabricação de veículos, a Moby corretora de seguros conseguiu fechar o ano de 2021...