Três perguntas: o mercado de criptomoedas em agosto

Por Jorge Priori.

Conversamos com Rodrigo Batista, CEO da exchange Digitra.com, sobre o mercado de criptomoedas em agosto. O bitcoin (BTC) fechou o mês sendo negociado por volta de US$ 47,2 mil, apresentando uma alta de 11,84% comparado a julho, quando fechou sendo negociado a US$ 42,2 mil. O ether (ETH), segunda maior criptomoeda do mundo, fechou agosto sendo negociado por volta de US$ 3.400, apresentando uma alta de 30% comparado a julho, quando fechou o mês cotado a US$ 2.606.

A cota do HASH11, fundo de índice negociado na B3 que replica o Nasdaq Crypto Index, índice que busca refletir globalmente o movimento do mercado de criptoativos, fechou agosto sendo negociada por volta de R$ 45,50, apresentando uma alta de 45,27% comparado a julho, quando fechou cotado a R$ 31,32.

 

Como foi o mercado de criptomoedas em agosto de 2021?

Acredito que no mar de boas notícias que foi este mês, a variação da moeda digital Solana foi o grande destaque. Ela saiu de cerca de US$ 25, no primeiro dia do mês, para US$ 125 no último dia, apresentando uma variação de 400% no preço. Parte do motivo dessa alta repentina foi a percepção de que a Solana é uma boa alternativa à rede ethereum na construção de jogos e aplicativos que usam criptomoedas e ativos digitais.

Um grande marco atingido neste mês foi a negociação total de US$ 2 bilhões em NFTs (Non-fungible Token) na OpenSea, maior plataforma de negociação desse tipo de token.

Uma mudança relevante foi o fato da exchange Binance passar a exigir cadastro completo de todos os clientes. É o mundo dos ativos digitais evoluindo a passos largos.

 

Como você tem visto a discussão sobre a regulamentação do mercado de criptomoedas no Brasil e no mundo, e sobre a discussão promovida pelo Banco Central para implantação do real digital? Na sua opinião, pode haver convergência entre as duas discussões?

A discussão da regulamentação de criptomoedas nos maiores mercados do mundo é inevitável, assim como o seu resultado: a criação de regras específicas para ele.

Nos EUA, o Tesouro americano encontra dificuldades para definir em que ponto fazer a regulação. Por exemplo, mesmo após definirem que os corretores (brokers) seriam os responsáveis por controlar os fluxos de ativos digitais, veio a dúvida do que seriam esses corretores, dado todos os usos possíveis da tecnologia.

No Brasil, a discussão regulatória está mais atrasada, mas, em compensação, os reguladores locais estão ouvindo o mercado e trabalhando com questões mais práticas. Um exemplo é o Banco Central, que já fala publicamente sobre o lançamento de uma moeda digital própria. Recentemente, ele aceitou a empresa nTokens, que criou a stablecoin Real Virtual, como uma das empresas participantes do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT).

Possivelmente, regras diferentes implementadas por governos diferentes tendem a ficar mais próximas no médio prazo. Leis mais coordenadas são incentivadas por órgãos internacionais como o BIS (Bank for International Settlements, considerado o banco central dos bancos centrais). O BIS hoje mantém a discussão entre diversos países para que todos cheguem a soluções comuns para o uso de moedas digitais.

 

Como você avalia a atualização da ethereum feita no início de agosto (EIP 1559)? Na sua opinião, quais são as perspectivas da ethereum 2.0, prevista para entrar em operação em dezembro de 2021, mais tardar início de 2022?

Neste ano, o ethereum passa por grandes evoluções que basicamente almejam a diminuição das taxas, tornando a blockchain mais escalável e facilitando o desenvolvimento de aplicações que usam a tecnologia. Essas alterações chegam em boa hora para os entusiastas da rede, porque vários concorrentes da ethereum estão ganhando espaço rapidamente, como a própria Solana. Se os planos da comunidade ethereum derem certo, possivelmente a moeda deve se consolidar como a segunda força no mudo das criptomoedas, atrás apenas do bitcoin.

Leia também:

Três perguntas: o mercado de criptomoedas em julho de 2021

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