Três perguntas: o mercado de criptomoedas em julho de 2021

Por Jorge Priori.

O mercado de criptomoedas chega ao final de julho com uma forte valorização do bitcoin. Ainda falta muito para que a criptomoeda, referência deste mercado, volte a ser negociada próxima à máxima histórica atingida em abril deste ano, quando o preço do bitcoin passou dos US$ 60 mil.

Conversamos sobre o comportamento do mercado de criptomoedas em julho, suas perspectivas e um tema que tem ganhado força nas últimas semanas, a questão da regulamentação deste mercado, que atingiu muito forte a maior exchange (corretora) do mundo, a Binance, com Ney Pimenta, CEO da Bitpreço, marketplace de criptomoedas.

 

Como foi o mercado de criptomoedas em julho de 2021?

Desde junho, nós tivemos uma lateralização da forte correção do valor do bitcoin, que caiu rapidamente de US$ 60 mil para aproximadamente US$ 36 mil entre abril e maio. Isso durou mais de um mês e meio e trouxe muita incerteza sobre o fim da correção. Durante esse processo, tivemos um grande grupo que apostava que a recuperação começaria em breve e outro que haveria mais correções.

No final das contas, nenhum dos dois estava muito errado. Nos últimos dias de julho, ainda houve uma pequena correção quando o bitcoin, que estava por volta de US$ 32 mil, caiu para US$ 29 mil. Essa correção parece ter satisfeito razoavelmente o mercado, apesar de que havia apostas de que o bitcoin bateria em US$ 25 mil. Algumas, mais drásticas, de que seria em US$ 23 mil. Quando o valor bateu em US$ 29 mil, o bitcoin começou a subir e ganhar força imediatamente.

Acredito que nessa posição dividida do mercado, acabou prevalecendo a vertente de que a correção estava feita e que o mercado começaria a subir. O reflexo disso foi o grande salto de preço dos últimos dias, com o preço do bitcoin saindo de US$ 30 mil para US$ 40 mil, uma valorização de 30%, e batendo numa nova resistência.

 

Quais são as perspectivas do mercado de criptomoedas?

O mercado começa a acreditar que as criptomoedas vão iniciar a recuperação dos preços e a crescer de uma forma mais sustentável e saudável, e não daquela forma maluca. Particularmente, essa é a minha expectativa.

Com relação à adoção, que é outro ponto que podemos olhar, nós temos visto muitos movimentos, desde países dizendo que vão aceitar pagamentos com criptomoedas, como o Paraguai, a outros que adotaram criptomoedas integralmente, como o bitcoin no caso de El Salvador.

A adoção por países e empresas continua aumentando, como já vinha acontecendo antes da última bull-run, que foi de novembro de 2020 a maio de 2021. Isso não parou porque houve a correção de preço. Eu, que estou neste mercado, continuo notando muitas empresas buscando o desenvolvimento de produtos que utilizem criptomoedas. Não posso citar nomes, mas várias fintechs brasileiras e internacionais estão analisando formas de adicionar criptomoedas aos seus produtos. A queda de preço dos últimos meses não impactou esse movimento.

Na minha opinião, as perspectivas para os próximos meses é que mais empresas adicionem criptomoedas aos seus produtos e que mais países as aceitem legalmente. Obviamente, isso vai acabar impulsionando o crescimento do valor da moeda e do mercado após essa correção.

 

Como você tem visto a pressão pela regulamentação do mercado no Brasil e no mundo?

Como era esperado, à medida que o mercado de criptomoedas cresce, os países começam a dar mais atenção ao assunto, preocupando-se com a sua regulamentação. O objetivo é fazer com que as criptomoedas possam ser usadas de forma saudável no dia a dia, evitando a lavagem de dinheiro ou o financiamento do terrorismo, e também garantindo o pagamento de impostos.

A última bull-run trouxe muito interesse dos países na regulamentação do uso de criptomoedas. No Brasil, nós vemos alguns deputados trabalhando nessa área e, provavelmente, em breve teremos algumas movimentações nesse sentido.

Na minha opinião, o que se destacou em julho em termos de regulamentação foram vários países pressionando a Binance, que é a maior exchange do mundo, para que ela comece a trabalhar em conformidade com as leis e regulamentações de onde ela atua. A exchange, por exemplo, não possui regras muito claras em relação à lavagem de dinheiro ou fomento ao terrorismo.

Já houve um pouco dessa discussão no Brasil há uns 6 meses atrás, gerada pela Associação de Criptomoedas. O mais interessante é que durante julho nós tivemos alguns episódios de países aplicando sanções à Binance, como a Inglaterra. A resposta da exchange foi muito rápida. Na última semana, seu CEO, Changpeng Zhao, sinalizou que vai transformar a Binance numa instituição financeira global, atendendo às regulamentações dos países.

Isso foi muito bom, apesar de o pessoal do meio cripto não ter gostado muito. Como primeiro passo, ela agora está limitando os saques dos usuários, que antes podiam transitar livremente dois bitcoins, aproximadamente R$ 400 mil, sem ter nenhum cadastro ou documentação, apenas com um e-mail. Recentemente, a Binance anunciou que, a partir do próximo dia 4 de agosto, os usuários que não fizerem o cadastro completo de identificação vão poder movimentar apenas 0,06 bitcoins. Trata-se de uma redução considerável.

Isso é reflexo da pressão dos países por regulamentação. As exchanges, se quiserem atuar em um país, terão que atendê-las. Acho essa discussão bem propícia e veio num momento oportuno de julho.

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