Três perguntas: o mercado de criptomoedas em outubro de 2021

Por Jorge Priori.

Outubro foi o mês em que o bitcoin bateu a sua máxima histórica: US$ 69 mil. A principal criptomoeda chegou ao fim do mês sendo negociada a US$ 62 mil, depois de encerrar setembro a US$ 43,5 mil. Já o ethereum encerrou o mês atingindo a sua máxima histórica: US$ 4,4 mil. A segunda principal criptomoeda havia fechado setembro com o valor de 3 mil.

Foi também neste mês que o mercado viu o lançamento do primeiro ETF americano de criptomoedas, o ProShares Bitcoin Strategy, que deve abrir caminho para outros ETFs no mercado dos Estados Unidos. Por aqui, o ETF HASH11 completou 6 meses de operação, passando de uma captação de R$ 600 milhões no seu lançamento para um patrimônio líquido de R$ 2,59 bilhões (valor referente ao dia 28 de outubro).

Conversamos sobre o mercado de criptomoedas em outubro com Theo Lamounier, co-fundador da Byebnk, startup de investimentos em criptoativos. Fundada em 2020, a startup recebeu recentemente um investimento da Via, antiga Via Varejo.

Como você viu o mercado de criptomoedas em outubro de 2021? Quais são as suas perspectivas para os próximos meses?

Menos de seis meses depois, o Bitcoin renovou e rompeu seu preço máximo histórico, até então próximo de US$ 65 mil, alcançando quase US$ 69 mil dólares. Nos aproximando do final de outubro, tivemos uma variação de quase 40% só no mês. Historicamente, os três últimos meses do ano costumam ser os melhores de desempenho da criptomoeda e devemos ver esse movimento se repetir, olhando para a conjectura de vários fatores econômicos, especialmente: excesso de liquidez nos mercados mundiais, riscos de inflação global alta e persistente e avanços institucionais da moeda digital. Embora o bitcoin siga com alta volatilidade, na minha opinião por ser um mercado ainda muito pequeno, ele tem se mostrado como um interessante veículo de preservação de capital para médio prazo e pode carimbar essa característica no encerramento de 2021.

Qual a importância do lançamento do primeiro ETF americano vinculado ao bitcoin, o ProShares Bitcoin Strategy (BITO)? Como você avalia a exposição deste ETF aos contratos futuros do bitcoin?

O meu instrumento preferido de investimento no mercado tradicional são os ETFs. Nesse sentido, um ETF lançado na maior economia do mundo é um marco a ser comemorado, pois mostra que players institucionais estão mais confortáveis com a criptomoeda. Esse pode ter sido o primeiro passo de uma institucionalização em larga escala das criptomoedas, no geral.

Para o preço do Bitcoin, não vejo que o ETF de Futuros trará impactos diretos. Um ETF desse tipo não precisa comprar o ativo no mercado a vista, apenas negociar os diferenciais de preços por meio de instrumentos sintéticos.

Como você tem visto o bitcoin frente aos desafios econômicos mundiais que estão sendo enfrentados atualmente?

O bitcoin, além de toda inovação tecnológica, oferece uma proposta inédita – um protocolo rígido, onde as regras monetárias são imutáveis e a governança é feita por uma rede descentralizada. O contexto econômico mundial está em xeque justamente pelo experimento antagônico iniciado após o fim do padrão ouro-dólar em 1971 – a possibilidade de autoridades monetárias centralizadas interferirem diretamente no mercado por meio da expansão ou contração da base monetária e do crédito.

Nesse sentido, a pergunta que deve ser feita é: O bitcoin está se valorizando ou o dinheiro estatal está se depreciando? Ainda é cedo demais para responder. Entretanto, como vimos em outros momentos da história, a competição para ser o melhor sistema monetário já começou e, embora possamos passar por algumas turbulências, certamente as pessoas são quem sairão vitoriosas da disputa entre o Bitcoin e o establishment.

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