Três perguntas: o novo aumento da Selic e os investimentos

Por Jorge Priori.

Por unanimidade, o Copom aumentou a Selic em 1 ponto percentual, passando a taxa básica de juros para 5,25% ao ano. O Comitê também informou que “antevê outro ajuste da mesma magnitude” para a próxima reunião, que será realizada nos dias 21 e 22 de setembro. Conversamos sobre o impacto do aumento da Selic nos investimentos com Jansen Costa, sócio da Fatorial Investimentos.

Para Jansen, “o mercado teme que a inflação não seja transitória, e sim mais recorrente, e que isso traga uma alta significativa de preços em serviços e consumo”. Ele também destaca que “se o BC não continuar subindo os juros, a inflação pode virar mais permanente, o que não é bom para a economia brasileira”.

 

Na sua opinião, o mercado de ações já precificou o ciclo de aumentos da Selic? Quais setores se beneficiam do aumento da taxa de juros e quais são impactados negativamente?

O mercado já leu o aumento de juros. Inclusive, a curva de juros já precifica um aumento pior. Basicamente, quem se beneficia com o aumento de juros são os bancos, e quem se prejudica muito são as empresas endividadas e de construção civil, que é mais impactada que o varejo. Isso porque este setor depende muito mais de crédito, que acaba ficando mais caro, beneficiando os bancos.

 

Como fica a renda fixa?

Com a alta da Selic, a renda fixa pode voltar para o jogo se o investidor optar por mudar a maneira de investir e buscar títulos pré-fixados para um prazo de até 12 meses, conseguindo uma rentabilidade de mais de 7%. Com isso, ele consegue ter juros reais perto de zero e um rendimento melhor do que no Tesouro Selic ou na caderneta de poupança, diminuindo a chance de ficar negativo em relação à inflação.

Cuidados com fundos de renda fixa – As pessoas devem tomar cuidado com os fundos pré-fixados e de inflação. Esses fundos vão variar bastante com o aumento dos juros. Uma vez que a taxa de juros prefixada está subindo, a cota desses fundos tende a cair, podendo ser negativa.

Caderneta de poupança e Tesouro Selic seguem perdendo da inflação – A caderneta de poupança não é um bom investimento. Apesar do aumento da Selic para 5,25%, sua remuneração é de 70% da Selic. Qualquer CDB de banco remunera muito mais do que a caderneta de poupança. Mesmo sendo isenta de Imposto de Renda, ela não é uma boa aplicação. O Tesouro Selic, com o desconto do Imposto de Renda, renderá em média 4,46% num prazo de 2 anos, tendo uma rentabilidade negativa em relação à inflação. Dessa forma, mesmo com o aumento da Selic, o investidor continua tendo rentabilidade negativa nesses dois tipos de investimentos.

Títulos prefixados de curto prazo são uma boa opção – O mercado sempre antecipa os movimentos de alta. As curvas dos prefixados hoje já precificam uma alta muito maior. Ao longo das últimas quatro altas, os investidores que compraram prefixados de curto prazo ganharam mais dinheiro que os investidores que deixaram recursos nos títulos pós-fixados. O prefixado de curto prazo continua sendo uma boa opção, dada a diferença entre as taxas pós-fixadas e prefixadas para 6 e 12 meses.

Nos ciclos de aumento de juros, uma pessoa deve tomar cuidado para não alongar muito uma aplicação financeira prefixada e ganhar com a inclinação da curva que está maior que a subida da Selic.

 

Como se proteger da inflação? Qual a expectativa para 2022?

Para ficar com dinheiro na renda fixa e fugir da inflação, vale a pena procurar títulos que compõem na rentabilidade o IPCA. Assim, teria uma proteção em relação à variação da inflação sobre o patrimônio. Ativos reais como imóveis, ações ou ativos de renda fixa atrelados ao IPCA garantem mais proteção da inflação do que os prefixados.

Para 2022, devemos permanecer com juros reais negativos na caderneta de poupança e no Tesouro Selic, porque a inflação deve continuar rodando junto à taxa de juros que temos no país. A melhor forma de se proteger é mudar a maneira de investir. A pessoa deve sair da poupança e do Tesouro Selic e buscar produtos atrelados à inflação que subam a rentabilidade conforme a correção da própria inflação, como IPCA+, ações e pré-fixados.

É melhor mudar a forma de investir do que deixar no pós-fixado. A curva de juros já precifica a alta elevada, aumentando assim a rentabilidade de hoje ao comprar prefixado para até 12 meses.

Leia também:

Três perguntas: a reunião do Copom desta semana e a Selic

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