Três perguntas: o novo aumento da Selic e os investimentos

Por Jorge Priori.

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária promoveu um novo aumento de 0,75 ponto percentual da Selic, o terceiro seguido, que passou para 4,25% ao ano. Ele também antecipou outro aumento de 0,75 para a reunião de agosto (“para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude”), mas deixou claro que “uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários”.

Até o final do ano, teremos mais quatro reuniões: 3 e 4 de agosto, 21 e 22 de setembro, 26 e 27 de outubro e 7 e 8 de dezembro.

Também nesta quarta (16), o Federal Open Market Comitte (Comitê Federal de Mercado Aberto) do Federal Reserve, o Banco Central americano, decidiu manter a banda da taxa de juros entre 0 e 0,25% ao ano. Conversamos sobre o impacto do novo aumento da Selic nos investimentos com João Beck, economista e sócio da BRA.

 

Como você viu o novo aumento da Selic?

Mais rígido e mais duro contra a inflação. Isso é positivo. Em reuniões passadas, o Banco Central foi leniente porque entendeu que o país precisava de “níveis estimulativos” de juros dado o impacto da pandemia. Com a recuperação do crescimento e a inflação dando sinais mais fortes, é hora de agir. O Banco Central não vai pagar para ver se a inflação é ou não temporária. O melhor é agir antes. Em país de moeda forte como os EUA, esse é um debate válido. No Brasil, é melhor prevenir, senão o remédio pode sair amargo.

 

Qual deverá ser o impacto no mercado acionário? Que tipo de ações podem tirar proveito da Selic a 4,25% ao ano e a perspectiva de novos aumentos? Que tipo de ações podem ser prejudicadas?

A decisão do Copom só reitera o que o mercado já precificou tempos atrás através dos contratos futuros de juros negociados diariamente no mercado. A decisão já era esperada, portanto, sem impactos no mercado. As altas futuras também são esperadas, e o mercado projeta algo entre 6,5% e 7% até o fim do ano. De forma generalista, taxas de juros mais altas beneficiam bancos, seguradoras e importadoras e prejudicam setores como de imóveis, construção e veículos.

O impacto dos juros no mercado de bolsa é marginal. O que o mercado espera é um Banco Central responsável que convirja a inflação para meta. O que favorece a bolsa no longo prazo é, principalmente, o crescimento econômico.

 

Com o novo aumento da Selic e a perspectiva de novos aumentos, que tipo de aplicações de renda fixa os investidores devem procurar? O que um investidor, que tem títulos pré-fixados emitidos quando a Selic estava em 2% ao ano, deve fazer? É um bom momento para investir na poupança?

Os títulos pré-fixados no Brasil pagaram grandes remunerações no período pós-pandemia. Alguns vencimentos de pré-fixados no início do ano chegavam a pagar acima de 6% ao ano, mesmo com a Selic ainda em 2%. Esse investidor ainda está na zona de lucro. E os contratos ainda estão com gordura (remuneração do pré-fixado é maior do que a Selic esperada para o período), mas sempre há o risco de a Selic disparar. Se isso ocorrer, para esses tipos de títulos, há pouco o que se fazer, mesmo que se carregue até o vencimento. Para os que não querem esse risco, o ideal é buscar os títulos indexados à inflação (NTNB ou IPCA+).

Com relação à poupança, na minha opinião ela não deve ser compreendida como investimento, mas sim como reserva de emergência. A poupança não é uma escolha do cidadão. Ele não avaliou outras opções de investimentos e concluiu que a poupança era a melhor decisão. Portanto, em se tratando de investimentos, nunca haverá uma situação em que a poupança estará num bom momento. A poupança é como a conta-corrente do cliente em que o recurso está aguardando algum pagamento no futuro próximo.

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Três perguntas: a reunião do Copom, os juros e o dólar

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