Três perguntas: o Open Finance e o crédito

Por Jorge Priori.

Conversamos com Bruno Loiola, cofundador e CGO da Pluggy, sobre os impactos do Open Finance no crédito.

 

O que faz a Pluggy?

A Pluggy é um fintech de infraestrutura de Open Finance. Trata-se de uma empresa de SaaS (Software as a Service). De uma forma bastante simplificada, nossos clientes, desde pequenas fintechs a grandes instituições financeiras, conseguem acessar os dados financeiros dos seus usuários finais de forma segura, rápida e enriquecida através de APIs providas pela Pluggy. Nós temos uma infraestrutura de Open Finance para as empresas de crédito que querem fazer uma análise mais estruturada.

O crédito é um mercado que consegue ser tangibilizado melhor por várias razões. O spread bancário no Brasil é muito alto e temos muitas pessoas desbancarizadas e fora do sistema financeiro. Quando digo fora, não é porque a pessoa não tem uma conta-corrente, mas porque não tem acesso a crédito. Isso se deve a inexistência de um histórico financeiro para que se obtenha crédito numa instituição financeira.

Com o compartilhamento de dados gerado pelo Open Finance, a pessoa poderá construir um histórico mesmo que não tenha relação com aquela instituição financeira. Isso é super-importante porque o mercado de crédito analisa a capacidade da pessoa pagar o crédito que será concedido no futuro.

 

Na sua opinião, quando o Open Finance começará a fazer diferença na vida das pessoas?

Muito em breve. Inclusive, já existem fintechs, que trabalham mais rápido, que estão começando a utilizar os dados do Open Finance para dar crédito de forma mais personalizada para as pessoas.

Os grandes bancos, obviamente, já estão trabalhando para isso, mas, até o momento, as grandes instituições financeiras não estão utilizando esses dados de forma a que o usuário final consiga tangibilizar ou visualizar os benefícios do Open Finance. Está havendo uma falta de transparência dos bancos, que querem que as pessoas compartilhem seus dados, mas não dizem o que vão fazer com eles. Hoje, qual a vantagem de compartilhar os dados com os bancos x, y e z?

Quando os dados financeiros das pessoas forem destravados, a ideia é que a briga seja entre as instituições que realmente consigam prover as melhores experiências para os clientes. Não adianta a pessoa ter apenas uma conta bancária num banco, enquanto os outros bancos vão conseguir oferecer uma experiência melhor já que os dados estão destravados, seja através de um aplicativo de gestão financeira, uma análise de crédito mais específica ou uma análise de investimento para que você tenha um bem-estar financeiro melhor.

Estão surgindo vários modelos de negócios, baseados nesses dados, que cumprem com o objetivo do Banco Central de aumentar a competitividade. Um dos nossos clientes aumentou a concessão de crédito em 50% a partir do momento em que começou a usar os dados do Open Finance.

Havia uma assimetria informacional dos grandes bancos e das empresas detentoras de contas, que tinham muitas informações com as outras empresas que queriam entrar no mercado, mas que eram dificultadas pela falta de informação. Como o acesso à informação está sendo nivelado, novas soluções surgirão no mercado.

Eu acredito que ainda em 2022 vão surgir muitos casos de uso em cima dos dados de Open Finance.

 

Quais serão os principais campos que serão impactados pelo Open Finance?

O crédito é o mais fácil e mais rápido. Já vemos muitas empresas se movimentando para utilizarem os dados analíticos de forma a oferecer um crédito mais personalizado e mais justo.

Depois, temos a parte de consolidação da gestão financeira das pessoas e das empresas. Aqui nós temos um ponto super-relevante. Se pegarmos o histórico do que aconteceu no Reino Unido, berço do Open Finance, as pequenas e médias empresas, que eram negligenciadas pelos grandes bancos, foram as mais beneficiadas quando esses dados foram destravados. Elas passaram a acessar crédito e a ter uma gestão financeira de uma forma muito mais fácil. Como o Open Finance automatiza toda a parte de conciliação e análise de fluxo de caixa, ele vai melhorar muito os processos das pequenas e médias empresas.

O terceiro ponto, que está sendo pouco falado, está relacionado ao processo de KYC (Know Your Customer / Conheça seu Cliente), como identificação de fraude e onboarding de novos clientes. Por exemplo, como os clientes já encaminharam documentos e dados que foram previamente analisados pelos bancos, eles vão poder utilizar essas informações em novos processos de onboarding de novos aplicativos e empresas.

As pessoas costumam menosprezar as mudanças de longo prazo e superestimar as mudanças de curto prazo. O Open Finance é uma evolução que vai mudar a forma como o sistema financeiro funciona. A assimetria de informações vai ser alterada, e vão surgir novos unicórnios, novos Nubanks que vão desafiar os bancos incumbentes de hoje, justamente pelo poder de análise dos dados. Nós já vimos isso em diversas indústrias, como transporte, hoteleira, varejista e publicidade. Essa disrupção ainda não aconteceu no mercado financeiro brasileiro.

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