Três perguntas: o que esperar do novo presidente da Petrobras

Na última sexta-feira (19), o presidente Bolsonaro comunicou a substituição do atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, por Joaquim Silva e Luna, atual diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional. Silva e Luna depende apenas da aprovação do Conselho de Administração para assumir a presidência da companhia.

A troca na presidência da estatal se deu em um momento em que o valor dos combustíveis e seus reajustes atrelados ao mercado internacional vêm sendo questionados pelo próprio presidente Bolsonaro. No primeiro pregão após a troca, segunda-feira, as ações da Petrobras registraram as maiores quedas do dia: PETR4, -21,51%, e PETR3, -20,48%.

Para entendermos melhor o que está acontecendo, conversamos com João Beck, economista e sócio da BRA, escritório credenciado da XP Investimentos, sobre a troca na presidência da Petrobras, a política de preços da companhia, as expectativas sobre a presidência de Silva e Luna, a possibilidade de interferência política na definição dos preços dos combustíveis e se existem outras ações que podem ser desenvolvidas pela empresa para reduzir os seus valores.

 

Como você avalia a troca de presidente na Petrobras?

A forma foi ruim. Ao se tratar de uma empresa de capital aberto, que fomentou recursos de investidores estrangeiros e atraiu capital de acionistas locais e internacionais, a troca teria de ser feita pelo menos num ritual mais formal. Com maior transparência e detalhes na condução da empresa e afirmação dos reais objetivos da troca.

 

Você considera apropriada a política de preços de combustíveis atualmente utilizada? Existem outras ações que podem ser desenvolvidas pela Petrobras para baratear o valor dos combustíveis?

Qualquer política de preços com viés técnico e com alguma medida de indexação ao mercado internacional já é boa por si só. O que afugenta investidores é a utilização da empresa como instrumento político. Que significa colocar na conta da empresa um prejuízo da própria União. Um bom exemplo foi o sistema de metas de inflação e a autonomia do Banco Central para segui-la utilizando a taxa de juros. Isso ajudou muito a evitar interferências políticas na taxa de juros para fins políticos.

No curto prazo, não existem ações que possam baratear o valor. O governo teria formas de isenção tributária e até subsídios ao setor. Mas o debate é se essa conta deve ser da União e não do acionista da Petrobras.

 

O que esperar do novo presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna? Sua presidência poderá sofrer interferência política na definição do preço dos combustíveis?

A empresa vai passar pelo primeiro teste da Lei das Estatais, de um conselho forte e independente, da pressão de investidores internacionais e agora recentemente da própria CVM. Não se pode excluir o poder que tem a União, até porque são controladores da empresa. Mas, se o custo jurídico e econômico de mexer na conta do combustível numa só canetada for grande, o governo pode tomar outros caminhos.

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