Três perguntas: Open Banking – 3ª Fase, China e desbancarizados

Por Jorge Priori.

Começa nesta sexta, 29 de outubro, a terceira fase do Open Banking. O início desta fase estava programado para o dia 30 de agosto, mas foi adiado pelo Banco Central a pedido de bancos e fintechs. Nesta fase, começa a surgir a possibilidade de compartilhamento dos serviços de iniciação de transações de pagamento e de encaminhamento de proposta de operação de crédito. A primeira forma de pagamento a ser implementada neste modelo será o Pix*. Com relação ao encaminhamento de proposta de crédito, a data prevista de implementação é o dia 30 de março de 2022. Segundo o Banco Central, a partir dessa data, clientes poderão solicitar propostas de empréstimos e financiamentos a várias instituições como bancos, financeiras e cooperativas, ao mesmo tempo em ambientes eletrônicos. Isso facilitará a comparação de taxas, prazos e outras condições.

Conversamos com Bruno Chan, fundador da Klavi, fintech especializada em Open Banking, sobre o que acontecerá na 3ª fase do Open Banking e se os benefícios do sistema financeiro aberto alcançarão os desbancarizados. Como Bruno trabalhou por alguns anos em Xangai e conhece o Open Banking chinês, aproveitamos a oportunidade e lhe perguntamos sobre as diferenças entre o modelo chinês e brasileiro.

O que será implementado na 3ª fase do Open Banking? Quando as pessoas começarão a sentir de fato os benefícios do Open Banking?

A 3ª fase do Open Banking vai permitir a iniciação de transações de pagamentos a partir de instituições de pagamento que não são das instituições detentoras da conta. Ou seja, consumidores podem transferir dinheiro de uma conta para a outra através de um aplicativo ou site de terceiro. Esta modalidade é conhecida como PISP (Payment Initiator Service Provider). A partir de novembro vamos sentir os benefícios da fase 3, já que ela entra em vigor no final de outubro.

Os benefícios do Open Banking alcançarão os desbancarizados?

Infelizmente, o Open Banking só pode ser utilizado por consumidores bancarizados. Contudo, logo depois do Open Banking, teremos as implementações do Open Finance (finanças abertas, em inglês), que vai sim impactar positivamente a vida dos desbancarizados. Isso porque o Open Finance vai permitir o compartilhamento de dados financeiros de concessionárias, aplicativos de economia compartilhada, contas residenciais, contas de telefonia e muito mais. Assim, o desbancarizado vai poder compartilhar essas informações com empresas que podem oferecer um produto ou serviço de acordo com seu comportamento financeiro.

Você pode nos contar como funciona o Open Banking chinês? Existem semelhanças entre o modelo chinês e o modelo brasileiro?

A China não tem um Open Banking regulado pelo Banco Central como temos no Brasil. Lá, as empresas foram pioneiras em coletar e compartilhar dados financeiros com o mercado. Hoje, consumidores chineses podem compartilhar seus dados financeiros, como de aplicativos de pagamento, com outras empresas para terem mais acesso a produtos e serviços financeiros, seja investimento, crédito ou outros. É muito parecido com o modelo brasileiro, mas o ponto de partida foi o setor privado, e não o setor público como aqui.

* 29/10/21 – Pagamento com PIX; 15/02/22 – Pagamentos com TED e transferência entre contas na mesma instituição; 30/06/22 – Pagamento de boletos, e 30/09/22 – Pagamentos com débito em conta.

Leia também:

Três perguntas: Open Banking – implementação da 3ª fase e perspectivas

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