Três perguntas: poupança por assinatura

Por Jorge Priori.

A Monis é uma fintech que desenvolveu um modelo de poupança que tem como base o cartão de crédito, onde os valores aplicados são cobrados no cartão da pessoa. A princípio, pode parecer que não faz muita diferença, mas ela existe. Uma coisa é a pessoa ter que transferir os recursos da sua conta para uma aplicação. Num momento de aperto, a pessoa pensa em outra destinação para os recursos e, possivelmente, deixa de fazer a aplicação. Outra coisa é a pessoa ter que pagar a fatura do cartão de crédito que já vem com a aplicação que foi feita de forma automática.

Um detalhe importante é que a Monis não visa a realização de investimentos financeiros, e sim a criação do hábito de poupar nas pessoas. Por isso, os recursos sob sua responsabilidade são administrados de forma conservadora.

Conversamos com André Vilar, CEO da Monis, sobre o motivo pelo qual a empresa visou a formação do hábito de poupança, o funcionamento do modelo de negócios da fintech e a forma como o mercado tem respondido.

A Monis, fundada em agosto de 2020, já recebeu um aporte de R$ 2 milhões e deverá anunciar em breve uma parceira com um banco tradicional que fará com que ela passe a ter o respaldo do Fundo Garantidor de Crédito, o que garante os depósitos de até R$ 250 mil.

 

Por que vocês olharam para a poupança?

Na verdade, nós olhamos para o fato de que 83% da população brasileira tinha uma meta em 2019 e não conseguiu cumpri-la (pesquisa SPC). A maior parte dessas metas estava relacionada a guardar algum dinheiro. Os brasileiros sonham em conquistar muita coisa e constantemente falham por não conseguirem criar o hábito de poupar. A Monis surgiu para ajudar as pessoas a conquistarem seus sonhos.

 

Como funciona a poupança por assinatura desenvolvida pela Monis?

A poupança por assinatura da Monis tem como base o cartão de crédito. O usuário cadastra o sonho (objetivo) que deseja conquistar na plataforma, informa o seu valor e escolhe o quanto quer guardar por semana via cartão: de R$ 25 a R$ 1.000. Depois de se cadastrar, é só acompanhar através da plataforma o seu sonho ficar mais próximo. A Monis aplica os recursos em CDBs com liquidez diária, rendendo 100% do CDI.

A taxa de processamento do cartão não é descontada do valor transferido. Esse custo é bancado pela Monis. A Monis não aplica penalizações por resgates antecipados, que são devolvidos com os rendimentos obtidos. Contudo, para valores depositados via cartão, a pessoa tem que esperar os 30 dias do cartão. Para valores transferidos via Pix, o resgate é em D0.

O Pix da Monis funciona como um complemento para antecipar o sonho. O usuário percebe que está conseguindo guardar dinheiro muito mais rápido do que esperava e começa a ficar empolgado em conquistar seu objetivo. Por isso utiliza o Pix como forma de impulsionar a conquista do sonho, sempre que sobra um dinheiro no mês.

A Monis não cobra taxa de administração. A empresa ganha com um spread do rendimento e planeja outras formas de monetização.

 

Como o mercado tem respondido e quais são as perspectivas?

A solução da Monis se encaixou perfeitamente no momento do mercado, principalmente pela combinação de dois motivos:

1) A maior parte das pessoas perceberam a importância de guardar dinheiro e se planejar financeiramente para um objetivo.

2) As pessoas continuam sem conseguir criar uma disciplina financeira e o hábito de investir.

Estamos crescendo cerca de 70% ao mês, e a perspectiva é que esse ritmo se mantenha à medida que implementarmos novas funcionalidades e incentivos para quem usa a Monis. O mercado achou interessante a forma como endereçamos o problema e constantemente somos abordados por grandes empresas para estruturarmos parcerias estratégicas.

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