Três perguntas: tendências do sistema financeiro

Por Jorge Priori.

Conversamos sobre as tendências para o sistema financeiro em 2022 com Luiz Bacellar, CEO da Saks, fintech especializada em investimentos e previdência privada.

 

Open Banking, Open Insurance e Open Finance. O que deve vir depois?

A última etapa do Open Banking prevê o compartilhamento de informações de investimentos e seguros, incluindo previdência privada. Nessa etapa já se fala de Open Finance, onde haverá a possibilidade de se oferecer aos clientes melhores produtos relacionados a finanças e investimentos. A partir disso, ocorrerá uma atuação mais expressiva de fintechs e insurtechs no Brasil, o que representa uma grande oportunidade para o desenvolvimento de novos projetos de tecnologia no segmento. Porém, é essencial que as empresas tenham foco em oferecer melhores experiências para os clientes, além de transações seguras que devem respeitar as regras da Lei Geral de Proteção de Dados.

Após o período de adaptação, como ocorreu com o Pix, o Open Banking será mais utilizado, aumentando as possibilidades de expansão deste mercado e a oferta de produtos e soluções que resolvam problemas. A próxima discussão, provavelmente, vai girar em torno do Open Economy que, possivelmente, facilitará ainda mais as transações financeiras e acesso a produtos e serviços globais.

 

As mudanças que estão ocorrendo no Brasil também estão ocorrendo nos outros países da América–Latina? Como você está vendo esse mercado?

Na América Latina já existem iniciativas de abertura de dados financeiros em diversos países como Colômbia, Chile e México. São mercados que estão mais abertos ao movimento de Open Banking. A Saks já vem se posicionando e acompanhando essas mudanças. Com o Open Banking, o Brasil está na vanguarda da abertura do mercado financeiro na região, o que nos permite ter uma visão ampla, estratégica e sem fronteiras físicas.

Vejo a expansão para outros mercados como um movimento crescente, que está sendo aproveitado por inúmeras startups. Ainda existe, obviamente, a etapa de aceitação e adaptação do Open Banking. Ela se inicia com certa desconfiança do consumidor, mas a própria melhoria na experiência do cliente e acesso a produtos mais qualificados fará com que essa adaptação seja mais fácil.

 

Considerando todas as mudanças que estão ocorrendo no sistema financeiro, quais são as tendências para 2022?

Para 2022, acredito que teremos um aumento de demanda por investimentos em criptomoeda e da diversificação global nas carteiras de investimentos; ampliação da atuação das save techs, e das transações financeiras eletrônicas e em diferentes moedas. A partir disso, aumenta a necessidade das pessoas terem contas e investimentos em outras moedas. Esse movimento é acentuado tendo em vista que 90% dos apps que utilizamos hoje são desenvolvidos e mantidos fora do Brasil. Dessa forma, as contas bancárias domésticas devem seguir o mesmo padrão e deverão se tornar contas globais.

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