Três perguntas: visão de negócio e transformação digital

Por Jorge Priori.

Conversamos com Ricardo Brandão, sócio-fundador e CEO da Sky.One, sobre a visão de negócio das empresas e a transformação digital que está ocorrendo.

 

As empresas da economia real estão sabendo conciliar suas visões de negócio com a transformação digital que está ocorrendo?

Eu acho que sim. Todas elas estão perseguindo esse objetivo. Inclusive, por mais que esse processo tenha sido acelerado pela pandemia, isso já vinha de antes. Todos entendiam que em um certo momento, seus modelos de negócio teriam que ser transformados, o que, no final do dia, significa vender por canais diferentes, atender clientes de formas diferentes e transformar o seu produto dentro dessa economia digital.

Podemos utilizar como exemplo o varejo, que tinha uma presença física de negócio de ir na loja, pagar por um produto e ir embora com ele, e que foi forçado a ter uma combinação de uma venda física, que obviamente continua muito forte, mas dentro de um modelo híbrido com a sua venda integrada a um e-commerce ou a um marketplace, passando a juntar todas as informações de uma forma digital e que tenham uma conexão com o usuário do ponto de vista de atendimento de uma série de coisas, como a logística.

A visão de negócio, que talvez não esteja tão clara no pari passu com essa transformação, e que nem todos conseguem enxergar, é para onde vai essa tecnologia. Continuando no exemplo do varejo, utilizando a analogia do metaverso para o modelo de negócio, acredito que em um certo momento as pessoas vão ter um supermercado virtual onde se possa ter a comodidade de se fazer uma compra remota sentado no sofá de casa, mas com toda a experiência de se tocar numa mercadoria, sentir o seu odor e olhar produtos novos.

Já que nem todo mundo tem a visão clara e cristalina de para onde está indo o seu segmento e como ele será daqui a 5, 10 anos, nós conectamos isso com a transformação que ele precisa para chegar lá. E como se dará essa transformação do negócio no dia a dia? Primeiro, todas as suas aplicações deverão estar no modelo cloud. Isso dará parâmetro e conexão para o início da transformação. Segundo, é a forma como se faz a integração dos sistemas de forma digital. Ou seja, como conciliar o estoque de uma loja física com um modelo de compra que demora x dias para ser entregue, com um modelo de venda que está num e-commerce com cliente consultando na hora e querendo o produto no outro dia. Ou mesmo que você possa expor isso numa série de marketplaces como Rapi e Ifood.

Os empresários que têm essa visão mais clara e conseguem fazer a aceleração da transformação do seu business atual, que dá dinheiro e é lucrativo, são os caras que vão sobreviver ao longo do tempo.

 

O que uma empresa, que não tem esse caminho muito claro como uma empresa de varejo, deve fazer?

Olha, eu não sei se o varejo tem isso muito claro, mas a grande verdade é que as empresas de varejo têm uma maturidade maior quando comparadas às outras empresas. Grandes redes de varejo, como a Magazine Luiza e B2W, têm uma visão muito clara de futuro, mas quando o varejo vai descendo para empresas menores como redes de supermercados regionalizados, no interior de um estado, com mais de 20 lojas, incluindo grandes lojas de 2 mil metros quadrados, faturando bilhões, mas ainda transacionando muito dinheiro na ponta por causa do seu público, nós vemos que esse perfil de empresa ainda não tem a visão conectada. É por isso que temos que fatiar o varejo em várias camadas, como se fosse uma cebola, pois a maturidade das empresas é muito distinta.

A Sky.One tem clientes que transacionam bilhões, mas que estão totalmente conectados num nicho do interior de algum estado e que ainda não têm essa visão. Nós estamos trabalhando na conexão deles com a transformação digital.

Existem casos mais complexos que o varejo, como as indústrias que vão morrer. As empresas de logística, num certo momento, vão se deparar com os caminhões e carros autônomos. As entregas serão feitas com drones. Não há como evitar isso. Mesmo assim, nós temos como cliente uma grande transportadora cujo problema continua sendo trocar os pneus dos caminhões na frequência correta.

Existem indústrias que vão sofrer bastante nessa transformação e que pouco tem a visão de para onde vai o seu setor e como ela vai se conectar no futuro.

 

Como uma empresa pode acelerar a transformação digital?

Se eu fosse o CEO de uma empresa, a primeira coisa que eu faria seria trocar todo o meu mindset de TI, controle, segurança, infraestrutura, sistemas e etc., e passaria a ter um TI estratégico na empresa muito focado no aumento das vendas, reduzindo os custos e aumentando a lucratividade, e, principalmente, no preparo dessa empresa para o que ela vai ser no futuro.

O que eu quero dizer com isso? Até há alguns anos, o CEO e o TI de uma indústria estavam muito preocupados em comprar servidores da Dell, roteadores da Cisco e contratar customizações da SAP. De uma forma geral, esses eram os seus papéis. A transformação que está sendo feita coloca esse CEO e o TI num papel de protagonismo para ajudar a empresa a transformar, por exemplo, um maquinário que era manual num maquinário que está integrado a um IOT (Internet das Coisas) ou que seja totalmente automatizado. A TI passa a ser uma cabeça da própria transformação do negócio, e não uma área de apoio à fabricação, à venda e à entrega de produtos, que eram o core da empresa naquele momento.

Nesse processo, a Sky.One se posiciona na criação de atalhos e na supressão dessa lacuna tecnológica com plataformas automatizadas. Exemplo: o servidor, o roteador, a segurança, o link de internet, que antes eram motivos de preocupação, são resolvidos facilmente com cloud computing e plataformas que escalam. Do ponto de vista de integração de dados e sistemas, nós resolvemos com o IPaaS (Integration Platform as a Service).

Se uma empresa não souber através de dados quem é o seu cliente, o que ele compra, quando ele compra, quantos quilos ele tem, quantas pessoas moram na sua casa e o seu consumo, ela vai perdê-lo, porque alguém vai saber desses dados e vai fazer exatamente a oferta que esse cliente quer ou pensa em ter. Isso é um pouco da maturidade de toda essa transformação digital que, no final do dia, vai derivar num big data com uma inteligência artificial que vai tomar boa parte das decisões, principalmente no que tange a uma sugestão de produtos, modelo de venda ou atendimento. Não adianta a empresa querer tomar decisões em cima de dados ou implementar machine learning, se ela não tiver toda a estrutura de transformação preparada.

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