Trevo de quatro folhas

Há mais incidências de acidentes de carro nas sextas-feiras que caem no dia 13 do que em qualquer outro dia do mês. Essa constatação é de pesquisa da companhia de seguros britânica Norwich Union. Os resultados indicam que o número de acidentes é, curiosamente, 13% maior quando o dia 13 do mês cai numa sexta-feira.

Movido a milho
O enorme volume de milho requerido para produção de etanol está causando ondas de choque em todo o sistema de alimentação. “Os Estados Unidos respondem por cerca de 40% da produção mundial de milho, e por mais da metade das exportações totais. Em março de 2007, os preços futuros do milho ultrapassaram a marca de US$ 4,38 por bushel, a mais alta em dez anos. Os preços do trigo e do arroz também dispararam para as marcas mais elevadas em dez anos, porque ao mesmo tempo em que esses cereais passam a ser mais usados como substitutos do milho, a área reservada ao seu plantio está caindo devido à ampliação das plantações de milho pelos agricultores.”
A advertência não foi feita por Fidel Castro, mas pelos professores de economia C. Ford Runge, da Universidade McKnight, e Benjamin Senauer, da Universidade de Minnesota, em artigo publicado na última edição da revista Foreign Affairs. Eles defendem a tese de que a promoção da produção de álcool encarecerá os alimentos, prejudicando boa parte da população do planeta, especialmente os mais pobres.

Preços em alta
“O crescimento do setor implica que proporção cada vez maior da safra mundial de milho seja usada para alimentar as imensas usinas que produzem etanol. De acordo com algumas estimativas, as usinas de etanol estarão consumindo até metade do suprimento nacional de milho norte-americano, dentro de poucos anos. Em 2007, a demanda por etanol conduzirá os estoques de milho aos seus mais baixos níveis desde 1995 (um ano de seca), ainda que 2006 tenha trazido a terceira maior safra de milho registrada no país”, continuam os economistas.
Runge e Senauer vaticinam: “O rápido crescimento na produção mundial de biocombustíveis deve elevar os preços mundiais do milho em 20%, até 2010, e em 41% até 2020. O preço das sementes oleaginosas deve subir em 26% até 2010 e em 76% até 2020, e os preços do trigo aumentarão em 11% até 2010 e em 30% até 2020.”

Comida em baixa
Estudos do Banco Mundial, citados pelos economistas no artigo, sugerem que o consumo de calorias entre os pobres do mundo cai em cerca de 0,5% sempre que os preços médios dos alimentos básicos crescem em 1%. “Em um estudo sobre a segurança alimentar do planeta conduzido em 2003, projetamos que, dados os ritmos vigentes de crescimento econômico e populacional, o número de pessoas famintas no mundo cairia em cerca de 23%, para 625 milhões, em 2025, desde que a produção agrícola melhorasse o bastante para manter constantes os preços relativos dos alimentos.” Caso a alta de preços continue, serão 1,2 bilhão de pessoas a sofrer fome crônica em 2025, 600 milhões a mais do que se previa anteriormente.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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