Triste lista

A TAM assumiu a triste ponta da tabela das companhias aéreas brasileiras com maior número de mortos em acidentes. Até esta semana, a Vasp ocupava esse lugar, com 261 mortes. Ainda com número indefinido, o acidente em Congonhas fará a TAM somar mais de 310 vítimas fatais. A novata Gol contabiliza um único acidente, o do ano passado, com 154 mortos. A Cruzeiro do Sul teve 110 vítimas; a Transbrasil, 79. A Varig teve apenas 14 mortos – o que ajuda a explicar porque o fim da empresa coincide com o aumento dos problemas na malha aérea brasileira.

Apagão do Estado
Reza o ditado que em casa onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. A lição pode ser estendida para a confusão que se seguiu ao acidente com o avião da TAM, esta semana. A empresa, a Infraero, a Anac, a Airbus, o PT, o tucanato, todos querem jogar a responsabilidade uns nos outros – e a culpa, no piloto, que não pode se defender.
O acidente é a face mais trágica e cruel do desmonte do Estado brasileiro, que teve seu início mais visível no Governo Collor. Basta ver que o apagão aéreo sucedeu o apagão de energia elétrica, que se seguiu ao apagão da telefonia (quando da mudança na forma de fazer interurbanos, por três dias a comunicação no país ficou deficiente).
A desregulamentação e a transferência de atribuições de Estado para complacentes agências independentes do poder público, mas intimamente ligadas às empresas que deveriam controlar, contribuem para que acidentes e problemas se sucedam com rapidez cada vez maior.
Indo além, poderiam ser incluídos entre os “apagões” o da Segurança, o da Saúde, o da Educação, o da falta de emprego, até o apagão moral do Congresso. Ao insistir em trilhar o caminho aberto por Collor e seguido por FH, o Governo Lula apenas colhe os mesmos amargos frutos. Ainda é tempo de uma virada?

Gula
Oportunista, o tucanato quer a estadualização dos aeroportos para, em seguida, firmar parcerias público-privadas para administrá-los. Deveriam olhar a PPP do metrô de Londres, ou pelo menos tentar saber porque tal modelo não atrai investidores nos EUA, onde quase 100% dos aeroportos são estatais.

ACM
Não se pode esquecer a influência de Antonio Carlos Magalhães na política brasileira no último meio século. Sua morte, porém, não apaga sua trajetória sempre ligada ao atraso e à direita, o fato de ter sido um dos principais apoios aos governos militares no Nordeste, e de ter ficado com o Governo Collor até o fim (seu filho, Luís Eduardo Magalhães, votou contra o impeachment). Apoiou também o governo tucano, com toda sua política de privatizações e desmanche do Estado.

Guiness
A Nova Cedae, companhia de saneamento do Rio de Janeiro, reduziu de 96 horas para 22 horas o tempo de resposta para consertar algum vazamento e normalizar o abastecimento. A empresa comemora também a inclusão da Estação de Tratamento de Água do Guandu no Guinness Book of Records como a maior estação de tratamento de água do mundo. De acordo com o presidente da Nova Cedae, Wagner Victer, a empresa está a caminho de quebrar este próprio recorde com o novo projeto que aumentará em 30% a capacidade do Guandu.

Prevenir
Três pessoas morrem por minuto devido a acidentes de trabalho, segundo dados da Organização Mundial de Trabalho. Os acidentes sem morte passaram dos 400 mil no Brasil, em 2005. De acordo com estudo realizado pelo BID, cerca de 10% do PIB é perdido por causa desse tipo de problema. Na próxima sexta, 27, ocorrerá o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho.

Tricolor
Para comemorar seus 105 anos de fundação, o Fluminense Futebol Clube abre suas portas neste sábado para os torcedores conhecerem o clube e assistirem a uma partida de futebol com artistas, ex-atletas e imprensa, às 11h. Presenças confirmadas de Evandro Mesquita, Carlinhos Vergueiro, Nelsinho Rodrigues Filho e Cláudio Adão. As comemorações continuam durante a semana, com a Noite Tricolor, na segunda-feira, uma festa de gala, no Jockey Club Brasileiro.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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