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quinta-feira, janeiro 21, 2021

Troca de comando

Substituído na Secretaria de Política e Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa pelo ministro Nelson Jobim, o general Santa Rosa era contrário à livre atuação de ONGs estrangeiras na Amazônia. Ele também marcou sua gestão à frente da secretaria por discordar do emprego de tropas do Exército para colaborar com a Polícia Federal em operação para expulsar brasileiros não-índios da reserva indígena Raposa da Serra do Sol, em Roraima. O general temia pelos riscos de uma reação armada por parte dos moradores daquela região caso a operação se realizasse. Santa Rosa foi substituído pelo general Barros Moreira, classificado por fontes militares como antiimperialista, mas não nacionalista como o antecessor.

Ideólogo
O ministro da Educação, Fernando Haddad, deve esclarecer ao país se vai aceitar os vetos das Organizações Globo aos livros comprados pela sua pasta em atendimento à indicação de comissões de professores. Caso a opção seja submeter as futuras compras ao crivo da Globo – já  responsável pela configuração do imaginário de milhões de brasileiros – deve esclarecer se as obras deverão priorizar uma imagem performática da História ou ensinar essa disciplina em pílulas.

Apagamento
Seja qual for a decisão do ministro, desde já, pelo menos uma coisa deve ser dita aos alunos do país: em 1984, os cerca de 400 mil brasileiros que se reuniram, na Praça da Sé, naquele 24 de janeiro, para ouvir discursos de políticos oposicionistas, como Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Tancredo Neves, Mário Covas e Luiz Inácio Lula da Silva, e shows populares, não se limitavam a comemorar o aniversário da cidade de São Paulo. Participavam do, até então, maior comício da campanha pelas Diretas Já, fazendo uma história pouco encontrável na bibliografia que poderá vir a ser recomendada.

Acadêmico
Intelectual de 2006 pelo Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo e agraciado com o Prêmio Juca Pato, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães será homenageado por um grupo de instituições do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira. Os organizadores destacam a preocupação do diplomata de “nutrir a política externa brasileira com os resultados da reflexão de acadêmicos e profissionais sobre o Brasil e o mundo”. A cerimônia será às 16h, no auditório do Iuperj/Ucam (R. da Matriz 82, 2º andar).

Prioridade$
A propósito da nota publicada quarta-feira sobre os doutores que escondem sua titulação em universidades privadas para fugirem das listas de demissíveis em potencial, alguns leitores estranharam o fato, lembrando que a Lei de Diretrizes Básicas (LDB) para a educação determinou que, ao menos, 2/3 do quadro de professores universitários tivesse mestrado e/ou doutorado. Essa determinação, defendida, principalmente pelo senador e educador Darcy Ribeiro e considerada elitista na sua origem, pela dificuldade de ser cumprida em centros mais distantes, já foi, porém, alcançada por muitas universidades privadas dos grandes centros urbanos. Exigência cumprida, esse tipo de estabelecimento passou a priorizar a contratação de professores apenas com especialização, uma opção por mão-de-obra mais barata e reveladora das prioridades dos seus proprietários.

Banalização
Ainda que resultando em demissão de profissionais mais qualificados, o fato de universidades particulares – grande parte de baixo nível de ensino e pesquisa – terem, no mínimo, 2/3 de mestres e doutores em seu quadro de professores poderia ser motivo de comemoração. Porém, a facilidade com que a meta foi atingida é denunciadora de algo extremamente grave na já combalida educação brasileira: a banalização dos cursos de pós-graduação, uma área de excelência acadêmica em qualquer país preocupado com seu futuro.

Se a moda pega…
A diretora de um curso privado de pós-graduação especializado em Direito, no Rio, anda às voltas com problema inusitado, porém, revelador do estágio educacional do país. Reprovados por apresentarem monografias copiadas da Internet, alunos – todos bacharéis ou advogados – estão movendo ações judiciais contestando a reprovação, além de pedir indenizações por danos morais. E para maior perplexidade da diretora, alguns juizes de primeira instância têm concedido ganho de causa a alguns alunos, obrigando o curso a arcar com as despesas e o aborrecimento de recorrer das decisões.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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