Trump comemorará Independence Day politicamente

Preocupação: celebração se tornar evento político e personalista em vez de um dia de patriotismo.

Internacional / 23:36 - 3 de jul de 2020

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George Washington, comante-chefe na luta pela independência e eleito o primeiro presidente dos EUA, reconhecido pelos norte-americanos na sua época como o “Pai da Pátria”, provavelmente não teria muitos motivos para comemorar o famoso Independence Day. Encontraria um país com um número de mortes superior aos sete longos anos de luta para sair do domínio da Inglaterra.

A luta atual contra a pandemia Covid-19 coloca o país em mais uma liderança mundial: 2,84 milhões de casos confirmados, 862 mil recuperados e 131 mil mortes. Passados 244 anos, o atual presidente, Donald Trump, parece desconhecer o cenário preocupante do seu povo e o sentido do dia comemorativo, para dar cunho político a um feriado considerado pelos norte-americanos como um evento apartidário para celebrar o patriotismo

Caças e tanques militares serão exibidos na parada do Dia da Independência dos Estados Unidos, nesta quinta-feira. O tom militar e os custos da comemoração promovida pelo presidente Trump têm sido alvo de críticas pelos democratas. Dizem que ele está tomando o controle de um feriado que tradicionalmente dedicado reunir os cidadãos e amar o seu país. A preocupação deles é que a celebração se torne um evento político e personalista em vez de um dia de patriotismo.
As novidades da programação do Dia da Independência imediatamente fizeram a oposição reagir e vários democratas do Congresso alertaram o presidente contra a tentação de um realizar “um comício de campanha” em rede nacional por ocasião da data nacional. Porque o dia 4 de Julho é geralmente um dia de trégua em os norte-americanos “agitam a bandeira nacional sem entrar em discussões políticas”, observa o especialista em mídia Richard Hanley.

Às 18h30 locais (19h30 em Brasília), Trump subirá as escadas do monumento em homenagem a Abraham Lincoln, o presidente que defendeu a unidade do país durante a guerra civil, para liderar o ato batizado de “Saudação aos Estados Unidos”. Este evento sem precedentes incluirá um discurso transmitido pela televisão, mobilização de equipamento militar e uma enorme exibição de fogos de artifício.

A organização progressista Code Pink instalará seu "Baby Trump", um enorme boneco inflável que mostra o presidente de fralda. A hashtag #BoycottTrumps4thOfJuly (Boicote ao 4 de julho de Trump) foi tendência no Twitter nesta quarta-feira.

Grupos de soldados veteranos planejam distribuir camisetas em homenagem ao falecido senador John McCain, um republicano com o qual Trump tinha confrontos frequentes. Trump fará uso de suas habilidades no mundo do espetáculo para o evento.

Os estados do Mississippi, Tenessee, Arizona, Texas e Nevada bateram esta quinta-feira um novo recorde de hospitalizações diárias de doentes com covid-19. A situação no Arizona é particularmente grave e segundo o Washington Post(link is external) fez regressar aos hospitais imagens semelhantes às que assistimos em Nova Iorque no pico da pandemia. Para além da duplicação das camas, requisição de pessoal hospitalar de outros estados e da paralisação de cirurgias programadas, regressou a imposição dos “padrões de cuidados em crise” que determina para cada hospital quais os doentes que vão receber ventilação num cenário de sobrelotação.

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