Trump critica Brasil por agir como a Suécia

EUA poderiam perder até mais de 2 milhões de vidas.

Conjuntura / 00:11 - 6 de jun de 2020

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O modelo sueco usado frequentemente como exemplo pelo presidente Jair Bolsonaro que defende o afrouxamento do isolamento social, está sendo contestado até pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nesta sexta-feira ele citou o Brasil como exemplo de país com dificuldades para lidar com a pandemia de coronavírus, ao defender a estratégia adotada por seu governo contra a doença e dizer que agora os EUA devem mudar o foco para se concentrar em proteger grupos de risco e permitir uma maior reabertura da economia.

Trump, que serve de referência para os atos e decisões de Bolsonaro, disse que o Brasil está seguindo o mesmo caminho da Suécia, país que não impôs quarentenas e decidiu se basear principalmente em medidas voluntárias de distanciamento social e higiene pessoal, mantendo a maioria das escolas, restaurantes e empresas abertas. Como resultado, a Suécia tem um número muito maior de casos de Covid-19 do que seus vizinhos nórdicos.

Se você olhar para o Brasil, eles estão passando por dificuldades. A propósito, eles estão seguindo o exemplo da Suécia. A Suécia está passando por um momento terrível. Se tivéssemos feito isso, teríamos perdido 1 milhão, 1 milhão e meio, talvez até 2 milhões ou mais de vidas”, disse Trump na Casa Branca, acrescentando que agora é hora de acelerar a reabertura. Os EUA são o país do mundo com o maior número de casos do novo coronavírus, com 1,9 milhão de infecções e mais de 108 mil mortos.

O Brasil é o segundo do mundo em número de casos, com quase 615 mil infecções confirmadas pelo Ministério da Saúde e 34.021 mortes, mas tem neste momento a maior taxa de aceleração da doença no mundo, uma vez que quase diariamente registra mais casos e mortes do que os EUA.

Apesar disso, diversos governos municipais e estaduais têm anunciado planos para afrouxar as medidas de distanciamento social no Brasil diante da pressão econômica provocada pela paralisação das atividades, o que levou especialistas alertarem para o risco de um agravamento da situação.

Uma semana após a ministra das Relações Exteriores daSuécia, Ann Linde, defender a estratégia mais branda adotada pelo governo, sem confinamento da população, o epidemiologista Anders Tegnell, que direcionou as estratégias tomadas pela Suécia para o enfrentamento da pandemia de coronavírus, disse que o país poderia ter tomado decisões diferentes para contar a disseminação do vírus.

Se encontrássemos a mesma doença, sabendo o que sabemos hoje, acho que acabaríamos fazendo algo no meio entre o que a Suécia fez e o que o resto do mundo fez. Há potencial para melhorar o que fizemos na Suécia, é claro. E seria bom saber exatamente o que deveria ser fechado para impedir melhor a propagação da doença”, afirmou Anders Tegnell em uma entrevista para a rádio sueca Sveriges.

A taxa de mortalidade em cada 100 mil habitantes no país é de 39,26. O número é nove vezes maior do que o da Noruega, oito vezes superior ao da Finlândia, e quatro vezes ao da Dinamarca, embora seja bem menor do que os apresentados pelos mais afetados no mundo, casos de Espanha, Itália, Reino Unido. Em números absolutos, a Suécia tem mais de 4 mil mortos em decorrência da Covid-19.

 

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