Nesta segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter tido uma “boa reunião” com o presidente Lula, na cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia. Ele descreveu Lula como “um sujeito muito vigoroso” e afirmou que negociações prosseguem.
“Tivemos uma boa reunião. Vamos ver o que acontece. Não sei se algo vai acontecer, mas vamos ver. Eles gostariam de fechar um acordo. Vamos ver. No momento, eles estão pagando, acho, uma tarifa de 50%. Mas tivemos uma ótima reunião”, disse.
Na noite de ontem, Lula conversou rapidamente com jornalistas na saída do hotel e afirmou que ele e o presidente dos EUA têm canal aberto para um diálogo direto, caso seja necessário.
“Estabelecemos uma regra de negociação que toda vez que tiver uma dificuldade eu vou conversar pessoalmente com ele. Ele tem o meu telefone e eu tenho o telefone dele”, disse. Ao final da conversa, o presidente brasileiro agradeceu rapidamente as felicitações de Trump pelo aniversário. “Eu vi a mensagem. Eu agradeço”.
Horas antes, em coletiva de imprensa, Lula já havia mostrado otimismo em uma suspensão das tarifas impostas pelos EUA. Ele disse que teve uma “boa impressão” de que os dois países chegarão a uma solução nas questões comerciais.
Para Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, “apesar de o encontro entre Lula e Trump ser um gesto diplomático relevante, o governo brasileiro precisa reagir de forma prática, apresentando uma agenda comercial clara e defensiva. O tarifaço escancara a dependência de poucos mercados e a urgência de diversificar parceiros e agregar valor à pauta exportadora.”
Segundo ele, “a reação não deve ser apenas política, e sim técnica, fortalecendo cadeias produtivas, reduzindo custo logístico e ampliando o crédito para exportação. Do ponto de vista empresarial, estabilidade diplomática é importante, mas competitividade se constrói com eficiência e acesso a capital.”
“O Brasil tem base industrial e tecnológica para responder com estratégia, não com improviso. O mercado espera justamente isso: menos retórica e mais ação coordenada entre governo e setor produtivo.”
Já para Jorge Kotz, CEO da Holding Grupo X, “a expectativa é de um diálogo pragmático. Lula busca reduzir danos e Trump e, mesmo sem uma solução imediata para o tarifaço, o simples avanço diplomático já reduz incertezas.”
“O setor produtivo precisa de previsibilidade, não promessas. Para as empresas, o momento é de revisar custos, ajustar margens e proteger fluxo de caixa diante de um cenário global mais caro e competitivo. O encontro pode aliviar o clima político, mas a gestão financeira segue sendo a principal defesa das companhias frente à volatilidade externa”, avalia.
Com informações da Agência Brasil, citando a Reuters















