Trump faz ameaças a Cuba e presidente Miguel Díaz-Canel reage

Líder cubano disse que EUA não têm 'moral para apontar o dedo'

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Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba (foto de Fernando Frazão, ABr)
Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba (foto de Fernando Frazão, ABr)

O presidente dos EUA, Donald Trump, fez ameaças a Cuba neste domingo em sua rede Truth Social. O mandatário norte-americano afirmou que a ilha não terá mais o petróleo que recebia da Venezuela.

“Cuba viveu muitos anos com uma grande quantidade de petróleo e dinheiro vindos da Venezuela. Em contrapartida, Cuba fornecia ‘serviços de segurança’ para os dos últimos ditadores venezuelanos. Agora isso acabou!”.

A Venezuela era o maior fornecedor de petróleo para Cuba, mas houve um corte abrupto neste serviço após o sequestro de Maduro.

Em seu texto, Trump disse ainda que a maioria dos cubanos que eram seguranças pessoais de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, foram mortos na operação que sequestrou o líder venezuelano no dia 3 de janeiro. “A Venezuela agora tem os EUA, a força militar mais poderosa do mundo (de longe!) pra protegê-los”.

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Trump também mandou um aviso ao governo cubano: “Sugiro fortemente que eles façam um acordo antes que seja tarde demais”.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel foi às redes sociais e reagiu aos posts do mandatário norte-americano. Ele escreveu:

“Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dirá o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos e ela não ameaça, ela se prepara para defender a Pátria até a última gota de sangue”.

Díaz-Canel seguiu em seu texto e disse que quem culpa a Revolução Cubana pelas carências econômicas “deveriam se calar por vergonha, porque sabem e reconhecem que elas são fruto das medidas de asfixia extrema que os EUA nos aplicam há seis décadas e que agora ameaçam superar”.

Segundo o presidente cubano, os EUA “não têm moral nenhuma para apontar o dedo para Cuba, pois transformam tudo em negócio, até mesmo vidas humanas. Aqueles que agora se revoltam histericamente contra nossa nação estão consumidos pela raiva da decisão soberana deste povo de escolher seu modelo político”, finalizou.

Ilha rejeita conversações e afirma que contatos limitam-se à ‘questão migratória’

Díaz-Canel rejeitou a existência de conversações com o governo dos EUA e garantiu que os únicos contatos entre as partes são de natureza “técnica” e se referem à “área migratória”, declarações que chegam logo após Trump ter ameaçado a ilha.

“Sempre estivemos dispostos a manter um diálogo sério e responsável com os diferentes governos dos EUA, incluindo o atual, com base na igualdade soberana, no respeito mútuo, nos princípios do Direito Internacional, no benefício recíproco… sem ingerência em assuntos internos e com pleno respeito à nossa independência”, enfatizou o mandatário em uma mensagem divulgada nas redes sociais.

Nesse sentido, ele esclareceu que a origem e o “extremo endurecimento do bloqueio não têm relação com os cubanos e residentes nos EUA”, que “são empurrados para lá por essa política fracassada e pelos privilégios da Lei de Ajuste Cubano”. “Eles são agora vítimas da mudança nas políticas para com os migrantes e da traição dos políticos de Miami”, afirmou.

Além disso, ele ressaltou que “existem acordos migratórios bilaterais em vigor que Cuba cumpre escrupulosamente”.

“Como demonstra a história, as relações entre os EUA e Cuba, para que avancem, devem se basear no Direito Internacional, em vez de na hostilidade, na ameaça e na coerção econômica”, observou.

Matéria atualizada às 11h36, para acrescentar sobre acordos migratórios

Com informações da Agência Brasil e da Europa Press

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