O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a criticar a Otan nesta quinta-feira e afirmou que nenhum dos países que a compõem “entende nada a menos que seja pressionado”, declarações que surgem logo um dia depois de ele ter acusado os Estados-membros de “não estarem presentes” quando são necessários.
“Nenhum desses países, incluindo nossa muito decepcionante Otan, entendeu nada a menos que fosse pressionado”, afirmou em suas redes sociais.
Na quarta-feira, Trump afirmou que a Otan “não estava presente quando precisávamos e também não estará presente se voltarmos a precisar”, embora o secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, tenha garantido que “a grande maioria” dos países europeus “colaborou” com os EUA.
As críticas de Washington continuam, apesar da recusa de vários aliados, como Espanha ou França, em impedir o uso de suas bases militares no âmbito da ofensiva lançada pelos EUA e Israel contra o Irã, que se encontra, por enquanto, suspensa em virtude do cessar-fogo acordado pelas partes nesta semana.
Essa ofensiva foi lançada em meio às negociações indiretas – mediadas por Omã – entre os EUA e o Irã para tentar chegar a um novo acordo nuclear. Está previsto que as delegações de Teerã e Washington iniciem contatos nesta sexta-feira para tentar avançar rumo a um acordo definitivo que ponha fim ao conflito.
Rutte admite tensões, mas defende qua Europa faz quase tudo o que os EUA pedem
secretário-geral da Otan, Mark Rutte, admitiu que existem tensões entre os parceiros da Aliança Atlântica e que todos estão cientes da “profunda mudança” pela qual a organização está passando sob a “liderança” de Donald Trump, embora tenha defendido que os aliados europeus, “quase sem exceção”, estão fazendo “tudo o que os EUA estão pedindo” para a guerra no Oriente Médio.
“Esta aliança não finge que nada está acontecendo. Os aliados reconhecem, e eu reconheço, que estamos em um período de profunda mudança na Aliança Transatlântica”, indicou Rutte em suas primeiras declarações públicas depois que Trump ameaçou sair da Otan por não ter estado presente quando precisou dela durante sua ofensiva contra o Irã.
Para o ex-primeiro-ministro da Holanda, “alguns aliados foram um pouco lentos” quando Washington solicitou apoio logístico no Irã, “para dizer o mínimo”. Para ser justo, prosseguiu ele, “eles também ficaram um pouco surpresos” porque o governo Trump não os avisou sobre a ofensiva conjunta lançada com Israel no último dia 28 de fevereiro.
Apesar disso, Rutte sustentou que o que ele vê hoje é que os aliados europeus “estão fornecendo agora um apoio maciço” em logística ou no uso de suas bases. “Quase sem exceção, os aliados estão fazendo tudo o que os EUA estão pedindo”, acrescentou.
Ele citou como exemplo que os aliados estão colaborando para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear e reduzir sua capacidade de desestabilização. Entre eles, destacou o Reino Unido por “liderar uma coalizão para garantir a livre navegação no estreito de Ormuz” e outros aliados europeus por liderarem “operações no flanco oriental, no Báltico e no Ártico”.
Com informações da Europa Press
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