“Tô nem aí”

A Comissão de Conciliação Prévia (CCP) da Construção Civil do Rio alcançou, em novembro, a marca de 7.065 conciliações, que representaram o pagamento aos trabalhadores de R$ 11 milhões de reais sem necessidade de se recorrer à Justiça. Foram realizadas 8.842 sessões, das quais apenas 20% frustradas. Porém um número maior (9.123) de sessões foram convocadas e não realizadas, sendo que 81% delas por ausência de um representante da empresa.

A credibilidade do Palocci
Os números divulgados pelo Banco Central sobre as contas externas do país jogam areia nas assertivas sobre as supostas vantagens da credibilidade conquistada pelo governo petista junto ao “mercado” ao optar pelo continuísmo. Segundo o BC, o superávit financeiro acumulado entre janeiro e outubro, de US$ 5,2 bilhões, deve-se exclusivamente a empréstimos do FMI, que somaram US$ 11,096 bilhões dos US$ 12,531 bilhões que ingressaram por essa rubrica. Sem o dinheiro do FMI, imobilizado para inversões internas, a conta financeira amargaria déficit de US$ 5,896 bilhões.
Também os investimentos externos diretos (IEDs), que sinalizam a confiança dos investidores no país num horizonte mais amplo, murcharam de US$ 13,91 bilhões, no mesmo período de 2002, para US$ 6,871 bilhões, nos dez primeiros meses do governo Lula. Registre-se que esse total maquia operações meramente contábeis, como as transações interempresas, que o BC, ainda na gestão FH, resolveu elevar à categoria de IED.

Alternativas
Ao aproximar os argumentos pró-credibilidade da equipe econômica da categoria dos mantras, a  análise dos números do BC também fortalece os argumentos dos que, dentro e fora do governo, pregam o rompimento com o continuísmo. Como a manutenção da política econômica não representou a entrada significativa de dinheiro novo, seja para o setor produtivo, seja para o giro financeiro, fortalece-se o argumento dos que defendem o controle de capitais. Com a vantagem adicional e indispensável de monetizar o capital imobilizado no over, para gerar desenvolvimento, crescimento de renda e geração de empregos.

Esquizofrenia
Na terça-feira o professor no Centro de Produção da Uerj, especialista em Relações Internacionais. Eduardo Italo Pesce fará palestra na Universidade Federal Fluminense (UFF) sob o tema “Esquizofrenia estratégica”. Vai mostrar que o Brasil é um dos “países-monstro”, gigante territorial, populacional, econômico e cultural e, ao mesmo tempo, um anão político-militar.

Há exceções
Ao prometer, sexta-feira, que nenhum ministro do seu governo vai morar em Paris ou trabalhar para bancos ou multinacionais, o presidente Lula deixou de esclarecer se a promessa vale também para a turma da equipe econômica ou ainda se ela se restringe ao pós-governo. Nos dois casos, o assessor internacional do Ministério da Fazenda, Octaviano Canuto, que, a partir de janeiro, substituirá Amaury Bier como diretor-executivo do Banco Mundial (Bird), estaria livre do sacrifício.

Gogó do PT
Por falar em promessa, muito servidor público também acreditou que a promessa feita pelo presidente Lula no vídeo gravado por sindicatos da categoria de que os direitos da categoria eram intocáveis e “quem disser o contrário está mentindo” era para valer.

Gogó do PT II
O mesmo vale para os eleitores do prefeito Antônio Palocci, que, em 1999, registrou em cartório a promessa de cumprir até o fim o mandato para o qual fora eleito em Ribeiro Preto, justamente para rebater as afirmações dos adversários de que a prefeitura era apenas uma escala para vôos maiores. Faltando dois anos para completar o mandato, virou ministro da Fazenda. Tudo bem que o cargo é muito bom e permite mil justificativas, mas, se a promessa era tão volúvel, para que prometer aos incautos o que não podia cumprir?

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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